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Número elevado de mortes de bebês por sífilis acende alerta na Austrália

Doença causou a morte de 42 crianças no período e preocupa autoridades de saúde

Por Redação 17/06/2026 12h12 - Atualizado em 17/06/2026 13h01
Número elevado de mortes de bebês por sífilis acende alerta na Austrália
Ilustração - Foto: Reprodução

A Austrália enfrenta um aumento nos casos de sífilis, infecção sexualmente transmissível que provocou a morte de 42 bebês entre 2015 e 2025. O avanço da doença tem levado especialistas a reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento durante a gestação para evitar novos casos.

Em entrevista à ABC News Australia, o professor emérito da Universidade de Adelaide, Maciej Henneberg, alertou para a gravidade da situação.

“É absolutamente essencial impedir que a doença se espalhe e se torne endêmica”, afirmou.

Diante do crescimento das infecções, a sífilis foi classificada em 2025 pelo diretor médico da Austrália, Michael Kidd, como um “incidente de doença transmissível de significado nacional”.

Dados divulgados pela ABC News Australia apontam que povos aborígenes e habitantes das ilhas do Estreito de Torres são os mais afetados. A taxa de infecção nesses grupos é cerca de sete vezes maior do que entre australianos não indígenas. Entre os bebês que morreram após contrair a doença, aproximadamente 60% pertenciam a essas populações.

Risco durante a gravidez

A sífilis é uma infecção bacteriana transmitida principalmente por contato sexual. Em muitos casos, os primeiros sintomas passam despercebidos, já que costumam se manifestar por meio de feridas indolores.

Sem tratamento, a doença pode evoluir e provocar complicações graves, atingindo órgãos como coração e cérebro.

Durante a gravidez, o risco é ainda maior. A infecção pode ser transmitida da mãe para o bebê, condição conhecida como sífilis congênita, que aumenta as chances de aborto espontâneo, natimorto e morte neonatal.

Especialistas destacam que uma das principais dificuldades para controlar a doença é o fato de muitas pessoas permanecerem sem sintomas aparentes por longos períodos. 

Estudos indicam que a ampliação da testagem pode ser uma ferramenta importante para conter o avanço da sífilis. Pesquisadores estimam que taxas de rastreamento entre 70% e 80% da população em risco seriam suficientes para reduzir significativamente a circulação da doença.