Ciência, tecnologia e inovação
Batatas preservadas há 500 anos são achadas em assentamento inca no Peru
Tubérculos de chuño encontrados em Tambo Viejo ajudam a compreender técnicas ancestrais de conservação de alimentos desenvolvidas pelos povos andinos
Arqueólogos encontraram dois tubérculos de chuño – batata sublimada ancestral – surpreendentemente preservados no sítio arqueológico de Tambo Viejo, na costa árida do sul do Peru.
A descoberta, estimada em cerca de 500 anos, foi publicada na Journal of Field Archaeology.
O chuño é uma técnica desenvolvida pelos incas para armazenar batatas e outros tubérculos por longos períodos. Em climas quentes, batatas frescas se deterioram rapidamente, muitas vezes em menos de uma semana, e algumas variedades podem se tornar amargas ou até tóxicas sem tratamento adequado. Para solucionar esse desafio, os povos andinos criaram um método especial, conforme detalha o portal Phys.org.
As batatas eram transportadas para as montanhas, onde passavam por ciclos de congelamento noturno sob geada intensa e descongelamento ao sol durante o dia. Após repetidos ciclos, os tubérculos eram amassados com os pés e deixados para secar, resultando em um alimento durável que podia ser armazenado por anos sem refrigeração.
Os dois tubérculos, de aparência murcha, marrons e brancos, com resíduos de casca, foram encontrados dentro de um jarro de cerâmica enterrado propositalmente no chão de uma das salas do assentamento. Próximo a eles, os arqueólogos localizaram um fragmento de cerâmica inca e uma fusaiola danificada, peça utilizada na fiação. Esses objetos domésticos comuns ajudaram a datar o achado com precisão.
As batatas remontam aos séculos XV e XVI, período de apogeu do Império Inca.


