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Fóssil revela animal de 240 milhões de anos que viveu antes dos dinossauros

Material encontrado no Rio Grande do Sul e extraviado por décadas permitiu a identificação de uma espécie inédita de réptil que viveu antes dos dinossauros.

Por Redação 11/06/2026 18h06
Fóssil revela animal de 240 milhões de anos que viveu antes dos dinossauros
Parte do material permaneceu perdida por mais de 20 anos até ser reencontrada em uma coleção científica, possibilitando sua análise completa. - Foto: Scientific Reports

Um fóssil encontrado no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, e perdido por cerca de duas décadas levou à identificação de uma nova espécie de réptil que viveu há aproximadamente 240 milhões de anos, antes do surgimento dos dinossauros.

A espécie foi batizada de Silescelida acristata e descrita por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, vinculado à Universidade Federal de Santa Maria. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica Scientific Reports.


O material fossilizado foi originalmente encontrado em rochas do período Triássico, na área que hoje integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO, região conhecida por importantes descobertas paleontológicas. Parte do fóssil, no entanto, permaneceu desaparecida por mais de 20 anos, o que dificultou sua análise completa.


O fragmento só foi reencontrado em 2022 durante uma visita técnica à coleção científica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A redescoberta permitiu que os pesquisadores finalmente concluíssem a descrição da nova espécie.


Segundo os cientistas, o Silescelida acristata pertence ao grupo dos arcossauriformes, répteis que compartilham características anatômicas com ancestrais de crocodilos e dinossauros. Análises indicam possível relação com os Euparkeriidae, um grupo raro já registrado em regiões como África do Sul, China, Rússia, Polônia e Alemanha.


A descoberta representa o primeiro registro dessa linhagem na América do Sul e amplia o conhecimento sobre a distribuição desses animais no período Triássico.


Em termos de aparência, a espécie teria porte semelhante ao de um pequeno jacaré, com corpo esguio e locomoção quadrúpede. A dieta provavelmente era composta por pequenos animais.


De acordo com os pesquisadores, a estrutura corporal indicava membros posicionados de forma semi-ereta, o que permitia maior eficiência na locomoção e menor contato do ventre com o solo, uma adaptação considerada importante na evolução dos ancestrais dos crocodilos e dinossauros.


“O fóssil amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais e reforça a importância do Brasil para o entendimento da evolução dos arcossauros”, afirmou o paleontólogo Maurício S. Garcia, autor principal do estudo e doutorando da UFSM.


O nome da espécie também carrega referências simbólicas: Silescelida combina termos ligados a “silêncio” e “perna”, em alusão ao longo período em que parte do fóssil permaneceu desaparecida e à predominância de ossos dos membros no material encontrado. Já acristata significa “sem crista”, referência à ausência de uma estrutura óssea elevada no fêmur, característica que a diferencia de espécies próximas.


Atualmente, o fóssil integra o acervo científico da PUCRS.