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Fóssil revela animal de 240 milhões de anos que viveu antes dos dinossauros
Material encontrado no Rio Grande do Sul e extraviado por décadas permitiu a identificação de uma espécie inédita de réptil que viveu antes dos dinossauros.
Um fóssil encontrado no município de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, e perdido por cerca de duas décadas levou à identificação de uma nova espécie de réptil que viveu há aproximadamente 240 milhões de anos, antes do surgimento dos dinossauros.
A espécie foi batizada de Silescelida acristata e descrita por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, vinculado à Universidade Federal de Santa Maria. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica Scientific Reports.
O material fossilizado foi originalmente encontrado em rochas do período Triássico, na área que hoje integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO, região conhecida por importantes descobertas paleontológicas. Parte do fóssil, no entanto, permaneceu desaparecida por mais de 20 anos, o que dificultou sua análise completa.
O fragmento só foi reencontrado em 2022 durante uma visita técnica à coleção científica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A redescoberta permitiu que os pesquisadores finalmente concluíssem a descrição da nova espécie.
Segundo os cientistas, o Silescelida acristata pertence ao grupo dos arcossauriformes, répteis que compartilham características anatômicas com ancestrais de crocodilos e dinossauros. Análises indicam possível relação com os Euparkeriidae, um grupo raro já registrado em regiões como África do Sul, China, Rússia, Polônia e Alemanha.
A descoberta representa o primeiro registro dessa linhagem na América do Sul e amplia o conhecimento sobre a distribuição desses animais no período Triássico.
Em termos de aparência, a espécie teria porte semelhante ao de um pequeno jacaré, com corpo esguio e locomoção quadrúpede. A dieta provavelmente era composta por pequenos animais.
De acordo com os pesquisadores, a estrutura corporal indicava membros posicionados de forma semi-ereta, o que permitia maior eficiência na locomoção e menor contato do ventre com o solo, uma adaptação considerada importante na evolução dos ancestrais dos crocodilos e dinossauros.
“O fóssil amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais e reforça a importância do Brasil para o entendimento da evolução dos arcossauros”, afirmou o paleontólogo Maurício S. Garcia, autor principal do estudo e doutorando da UFSM.
O nome da espécie também carrega referências simbólicas: Silescelida combina termos ligados a “silêncio” e “perna”, em alusão ao longo período em que parte do fóssil permaneceu desaparecida e à predominância de ossos dos membros no material encontrado. Já acristata significa “sem crista”, referência à ausência de uma estrutura óssea elevada no fêmur, característica que a diferencia de espécies próximas.
Atualmente, o fóssil integra o acervo científico da PUCRS.


