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Mamute com marcas de abate humano é achado na Alemanha
Esqueleto de até 25 mil anos apresenta sinais de processamento por humanos na Baviera durante a Era do Gelo
Arqueólogos do sudeste da Alemanha identificaram marcas de abate humano em um esqueleto de mamute lanoso com idade estimada entre 27 mil e 25 mil anos. O achado, divulgado pela revista Archaeology News, remonta a um período em que há poucos registros de presença humana na região.
Segundo a publicação, a descoberta oferece uma rara oportunidade de compreender a vida na Baviera durante as fases finais da cultura gravetiana, pouco antes de a Europa Central enfrentar um declínio expressivo na ocupação humana devido ao último máximo glacial.
Durante as escavações, foram recuperados ao menos 72 elementos esqueléticos e uma presa de mamute lanoso. Os pesquisadores concluíram que se tratava de um animal de grande porte, porém ainda não totalmente adulto.
"A datação por radiocarbono estimou sua idade entre 26.900 e 25.300 anos calibrados antes do presente, o que torna o espécime um dos mamutes mais jovens conhecidos associados à atividade humana gravetiana tardia na Baviera", detalha a reportagem.
Inicialmente, a descoberta foi tratada como paleontológica, já que não foram localizadas ferramentas de pedra, fogueiras ou vestígios de assentamento. Contudo, uma análise mais minuciosa revelou marcas de corte em várias costelas, compatíveis com o abate e processamento da carcaça por humanos.
As marcas estavam restritas às áreas planas das costelas, fornecendo evidências diretas de manipulação do animal. Ainda assim, não foi possível determinar se o mamute foi caçado ou apenas desossado após a morte.
Escavações subsequentes, com peneiramento úmido, encontraram apenas materiais do Holoceno, tornando os ossos modificados do mamute a única evidência de atividade humana no local. Mesmo assim, o valor arqueológico do achado é elevado, dada a escassez de vestígios humanos desse período.
Naquela época, o avanço das geleiras e o clima mais frio reduziram drasticamente a produtividade ambiental, fazendo com que o território dos caçadores-coletores gravetianos diminuísse de cerca de 240 mil para 120 mil quilômetros quadrados. A população estimada caiu de aproximadamente 2.800 para 1.000 indivíduos, sendo a Baviera uma das regiões mais impactadas.
A descoberta do mamute representa a evidência mais recente conhecida da presença gravetiana tardia com laços culturais orientais na Baviera, antes de um longo hiato de assentamento. O achado proporciona um raro vislumbre da atividade humana durante uma das fases mais rigorosas da Era do Gelo, conclui a reportagem.


