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Testosterona baixa em jovens acende alerta e indica problemas de saúde
Queda da libido, cansaço persistente e perda de massa muscular estão entre os principais sinais
Cansaço frequente, diminuição da libido e irritabilidade sem motivo aparente costumam ser atribuídos ao estresse, à rotina intensa ou à falta de sono. No entanto, em alguns casos, esses sintomas podem indicar níveis reduzidos de testosterona, inclusive em homens mais jovens.
Embora a redução do hormônio seja um processo natural do envelhecimento, ocorrendo de forma gradual a partir dos 40 anos, uma queda precoce merece atenção médica. Produzida principalmente pelos testículos, a testosterona exerce papel fundamental na saúde sexual, muscular e metabólica masculina.
Segundo especialistas, a obesidade está entre as principais causas funcionais da diminuição do hormônio. O excesso de gordura corporal favorece a conversão da testosterona em estradiol, hormônio predominante no organismo feminino, reduzindo os estímulos necessários para a produção hormonal adequada.
Além da obesidade, fatores como diabetes tipo 2, sedentarismo, estresse crônico, distúrbios do sono e o uso de anabolizantes também podem contribuir para o problema.
“Temos visto casos frequentes de hipogonadismo após abuso e uso crônico de esteroides com a finalidade anabolizante para fins estéticos e ganho de massa muscular”, afirma a endocrinologista Ana Luiza Rio.
De acordo com o urologista Gustavo Marquesine Paul, muitos casos observados em homens jovens estão relacionados ao estilo de vida e podem ser revertidos.
“Em muitos jovens, a testosterona baixa é mais um reflexo do estilo de vida do que um problema hormonal definitivo. Esse cenário nos traz a possibilidade real de reversão e até de resolução completa do problema”, explica.
Sintomas e estresse
Os sinais mais comuns incluem a fadiga, alterações de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração e insônia. Entretanto, alguns sintomas são mais específicos e podem indicar deficiência hormonal.
Entre eles estão a redução do desejo sexual, piora da função erétil, diminuição do volume ejaculado, infertilidade, perda de massa muscular, aumento da gordura abdominal, redução de pelos corporais e até o desenvolvimento de mamas.
“Não é esperado que um homem jovem apresente queda sustentada do desejo sexual ou piora progressiva da função erétil sem uma causa clara”, alerta Paul.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por meio da análise dos sintomas e de exames laboratoriais. A dosagem da testosterona total é o primeiro passo, mas resultados baixos precisam ser confirmados em uma segunda coleta. Os exames devem ser feitos preferencialmente entre 7h e 10h da manhã, período em que os níveis hormonais atingem seus valores mais elevados.
Caso a deficiência seja confirmada, o médico poderá solicitar exames complementares para identificar a origem do problema, incluindo avaliações hormonais, metabólicas, genéticas e exames de imagem.
Reposição hormonal
Apesar da crescente procura pela reposição de testosterona, especialistas alertam que o tratamento não deve ser utilizado sem indicação médica. O uso inadequado pode provocar infertilidade, atrofia testicular, alterações cardiovasculares, trombose, infarto, AVC e mudanças de comportamento.
“O uso inadequado pode interromper completamente a produção de espermatozoides, de forma temporária ou até permanente”, destaca o urologista.
A reposição hormonal é indicada apenas quando há sintomas compatíveis e deficiência comprovada por exames, sempre sob acompanhamento especializado.
Em muitos pacientes, especialmente os mais jovens, a adoção de hábitos saudáveis pode melhorar significativamente os níveis hormonais.
Perda de peso, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade, redução do consumo de álcool e controle do estresse são medidas que contribuem para o equilíbrio da testosterona.
“O exercício físico pode aumentar os níveis de testosterona, melhorar a composição corporal, a sensibilidade à insulina e o bem-estar geral”, ressalta Ana Luiza Rio.

