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Micróbios de múmia de 5.300 anos podem ainda estar vivos

Levantamento genético encontrou fungos e bactérias preservados no corpo de Ötzi e sugere que alguns organismos podem continuar ativos mesmo após milênios de congelamento.

Por Redação 09/06/2026 16h04
Micróbios de múmia de 5.300 anos podem ainda estar vivos
Encontrado nos Alpes em 1991, Ötzi é uma das múmias naturais mais estudadas do mundo. - Foto: Reprodução

Um estudo internacional revelou que micróbios encontrados no corpo de Ötzi, o Homem de Gelo que morreu há cerca de 5.300 anos, podem ter permanecido vivos até hoje. A descoberta sugere que fungos e bactérias antigos sobreviveram por milênios em condições extremas de congelamento.


Conhecido como uma das múmias naturais mais bem preservadas já encontradas, Ötzi continua surpreendendo a ciência mais de três décadas após sua descoberta nos Alpes de Ötztal, na fronteira entre Itália e Áustria. Desta vez, pesquisadores identificaram evidências de que parte dos microrganismos presentes em seu corpo não apenas sobreviveu ao tempo, mas pode continuar ativa em pequenas áreas úmidas da múmia.


O estudo, publicado na revista científica Microbiome, analisou o DNA de fungos e bactérias encontrados tanto na superfície quanto no interior do corpo. Os pesquisadores também examinaram amostras de solo coletadas durante a escavação da múmia e compararam os resultados com micróbios presentes no ambiente de armazenamento atual.


A investigação permitiu diferenciar organismos introduzidos recentemente por contato humano daqueles que acompanham Ötzi desde sua morte, há mais de cinco mil anos.


Entre os principais achados estão quatro tipos de leveduras adaptadas ao frio extremo: Glaciozyma, Goffeauzyma, Mrakia e Phenoliferia. Os cientistas acreditam que esses fungos se instalaram no corpo após sua morte e permaneceram preservados graças às baixas temperaturas da montanha.


Segundo os autores, algumas dessas espécies apresentam características compatíveis com atividade biológica contínua. Uma delas, a Glaciozyma, foi encontrada em quantidade maior do que em análises realizadas anos atrás e mostrou sinais de DNA menos degradado, o que pode indicar reprodução lenta mesmo sob congelamento.


Além de fornecer informações sobre os processos de conservação, os micróbios encontrados ajudam a reconstruir aspectos da vida na Idade do Cobre. De acordo com os pesquisadores, parte das bactérias intestinais identificadas em Ötzi é extremamente rara em populações modernas, mas ainda pode ser encontrada em comunidades que mantêm estilos de vida tradicionais.


"Esses micróbios nos fornecem um retrato único e precioso de como era o intestino humano na Idade do Cobre, antes da industrialização remodelar nosso microbioma", explicou Frank Maixner, autor sênior do estudo e pesquisador da Eurac Research, na Itália.


Os resultados também levantam questões importantes para museus e centros de conservação. Embora a múmia permaneça armazenada sob condições semelhantes às da geleira onde foi encontrada, alguns microrganismos podem estar utilizando matéria orgânica disponível para sobreviver.


Para os especialistas, compreender como essas comunidades microbianas se comportam ao longo do tempo pode ajudar a preservar não apenas Ötzi, mas também outros restos arqueológicos de valor histórico.


Descoberto por excursionistas em 1991, Ötzi morreu por volta dos 46 anos e se tornou uma das figuras mais estudadas da arqueologia moderna. Pesquisas anteriores já revelaram detalhes sobre sua alimentação, doenças, tatuagens e até os ferimentos que provavelmente levaram à sua morte.


Agora, os cientistas acreditam que os menores habitantes de seu corpo podem guardar algumas das respostas mais importantes sobre o passado.