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Finlândia se prepara para inaugurar o 1º depósito de lixo nuclear do mundo

Estrutura construída a mais de 400 metros de profundidade deverá armazenar resíduos radioativos por até 100 mil anos

Por Redação 03/06/2026 14h02
Finlândia se prepara para inaugurar o 1º depósito de lixo nuclear do mundo
Onkalo - Foto: Reprodução/Posiva

A Finlândia está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a colocar em operação um depósito geológico permanente destinado ao armazenamento de resíduos nucleares usados. Localizada na ilha de Olkiluoto, no município de Eurajoki, a instalação recebeu o nome de Onkalo. A estrutura foi projetada para funcionar como destino definitivo de materiais radioativos produzidos no país.

As obras começaram em 2004 sob responsabilidade da Posiva, empresa especializada na gestão de resíduos nucleares. A previsão é que a estrutura entre em funcionamento no fim de 2026 ou no início de 2027. Avaliado atualmente em cerca de US$ 1,16 bilhão (aproximadamente R$ 5,82 bilhões), o projeto ainda aguarda a autorização final da Autoridade Finlandesa de Segurança Radiológica e Nuclear (STUK), cuja análise deve ser concluída neste mês.

O depósito receberá exclusivamente resíduos gerados por usinas nucleares finlandesas. Com a ampliação da participação da energia nuclear na matriz energética do país, a expectativa é de aumento na produção de materiais radioativos, tornando necessária uma solução permanente para o descarte seguro desses resíduos.

Embora tenha enfrentado críticas de grupos ambientalistas, entre eles a Associação Finlandesa para a Conservação da Natureza, o empreendimento obteve apoio significativo de parte da população local.

O Onkalo foi escavado a 433 metros abaixo da superfície, em uma formação rochosa estimada em 1,9 bilhão de anos de idade. O sistema de armazenamento prevê múltiplas camadas de proteção para evitar vazamentos e garantir a segurança do material radioativo ao longo de milhares de anos.

Os resíduos, principalmente combustíveis nucleares usados, serão inicialmente acondicionados em cápsulas de cobre resistentes à corrosão. Em seguida, depositados em cavidades perfuradas ao longo de uma extensa rede de túneis subterrâneos. Os espaços serão preenchidos com argila e posteriormente selados com estruturas de concreto reforçado.

A expectativa é que o processo de armazenamento ocorra ao longo dos próximos 100 anos. Após esse período, o complexo será definitivamente fechado e isolado, com a meta de manter os resíduos confinados de forma segura por pelo menos 100 mil anos.