Ciência, tecnologia e inovação
Nasa acelera plano para construir base lunar permanente até 2032
Agência espacial dos EUA aposta em robôs, drones e energia nuclear na nova corrida espacial contra a China
A Nasa revelou novos detalhes sobre os equipamentos e tecnologias que pretende enviar à Lua nos próximos anos como parte do projeto de construção de uma base lunar permanente. O plano faz parte da estratégia dos Estados Unidos para retomar a exploração espacial tripulada e ampliar sua presença no satélite natural até 2032.
Entre os equipamentos anunciados estão módulos robóticos de pouso, drones de exploração e veículos capazes de transportar astronautas e instrumentos científicos pela superfície lunar. Empresas privadas como Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, além da Intuitive Machines e Astrobotic, foram selecionadas para desenvolver parte das máquinas.
A iniciativa acontece em meio à crescente disputa espacial entre Estados Unidos e China. O governo norte-americano quer levar astronautas novamente à Lua antes do fim do mandato do presidente Donald Trump, em 2029, enquanto os chineses avançam em seus próprios projetos para realizar missões tripuladas até 2030.
Nesta semana, a China lançou a espaçonave Shenzhou-23 com destino à estação espacial Tiangong, reforçando os investimentos do país na corrida espacial.
Em março, a Nasa já havia anunciado um programa estimado em US$ 20 bilhões para instalar uma base alimentada por energia nuclear e solar no polo sul lunar. Segundo a agência, o objetivo é criar estruturas semipermanentes para permanência humana na Lua.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, afirmou que os novos projetos demonstram que os Estados Unidos pretendem manter presença contínua na Lua nos próximos anos.

O programa, chamado Ignition Moon Base, será dividido em três fases. Inicialmente, robôs e drones serão enviados para mapear o terreno e identificar áreas estratégicas para futuras operações humanas.
Entre os equipamentos em desenvolvimento está o módulo lunar Endurance, da Blue Origin, projetado para realizar pousos precisos com sistemas autônomos de navegação. Já a empresa Astrobotic trabalha no módulo Griffin-1, que deverá pousar próximo ao polo sul da Lua.
A exploração robótica deve ocorrer até 2029, período em que a Nasa pretende realizar 25 lançamentos e enviar cerca de quatro toneladas de equipamentos para o satélite.
Na etapa seguinte, a agência espacial planeja instalar sistemas de geração de energia solar e reatores nucleares de fissão para abastecer a futura base lunar.
Especialistas, porém, avaliam que o cronograma pode enfrentar dificuldades. Um dos principais desafios é o desenvolvimento de uma nave segura para transportar astronautas até a superfície lunar.
A SpaceX, empresa de Elon Musk, foi contratada para construir a Starship Human Landing System, nave responsável pelo pouso de humanos na Lua, mas o projeto já enfrentou atrasos e problemas técnicos.
Para cientistas da área espacial, a corrida lunar segue indefinida, e há avaliações de que a China pode chegar primeiro à superfície lunar com uma missão tripulada.


