Ciência, tecnologia e inovação
Pesquisadores identificam anestésico em instrumentos da China
Vestígios químicos encontrados em ferramentas cirúrgicas da dinastia Ming indicam uso de substâncias para aliviar dor há 600 anos.
Pesquisadores encontraram evidências químicas do uso de anestésicos em instrumentos cirúrgicos datados dos séculos XIV e XV, durante a dinastia Ming, na China, segundo informações do portal Arkonews.
Análises realizadas em tesouras e pinças metálicas revelaram manchas vermelhas de corrosão, identificadas como resíduos de aconitina — um composto potente e altamente tóxico extraído de plantas do gênero Aconitum, tradicionalmente utilizado para aliviar a dor em procedimentos cirúrgicos.
Os instrumentos, com cerca de 12,3 cm de comprimento, foram descobertos no túmulo de um renomado médico chinês que viveu entre 1348 e 1411, na cidade de Jiangyin, leste da China. As ferramentas chamam atenção não apenas pela qualidade do ferro, com pureza média de 97%, mas principalmente pelos vestígios de aconitina presentes nas lâminas, resultado de uma reação química entre o composto e o metal.

Segundo os pesquisadores, pequenas doses de aconitina eram empregadas para amenizar a dor dos pacientes durante cirurgias. Apesar do uso tradicional dessas plantas na medicina chinesa, a substância é extremamente perigosa, podendo afetar o coração, o sistema nervoso e a respiração mesmo em baixas concentrações.
A descoberta representa uma das primeiras provas químicas diretas do uso de substâncias farmacológicas para alívio da dor cirúrgica na China medieval — prática que antecede em séculos a primeira demonstração pública da anestesia inalatória moderna, realizada em Boston, em 1846.


