Ciência, tecnologia e inovação
Arqueólogos descobrem tumbas de 1,5 mil anos perto de Tula
Sepultamentos e artefatos revelam rituais funerários da era Teotihuacan no México
Arqueólogos identificaram, nas proximidades de Tula, no México, um conjunto raro de sepultamentos, restos humanos, ornamentos e artefatos, revelando práticas funerárias sofisticadas e a existência de um antigo assentamento planejado ao longo do atual traçado do trem Cidade do México-Querétaro.
Segundo os pesquisadores, o sítio Ignacio Zaragoza, no centro do México, abriga sepultamentos excepcionais da era Teotihuacan, incluindo câmaras funerárias escavadas no tepetate, cistas, restos humanos, ornamentos de conchas e 47 vasos cerâmicos em miniatura oferecidos como rituais.
A descoberta foi realizada durante escavações de salvamento vinculadas ao projeto ferroviário Cidade do México-Querétaro.
De acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México, o assentamento foi ocupado principalmente entre 225 e 550/600 d.C., época de maior influência de Teotihuacan, com reocupações menores no período Pós-Clássico. O que começou como coleta de material superficial levou à identificação de estruturas domésticas pré-hispânicas organizadas em torno de pátios, cujos alicerces preservados revelam um antigo espaço residencial planejado.
Em meio a esses ambientes, a equipe de arqueólogos localizou mais de uma dezena de sepulturas individuais e coletivas. Algumas estavam em cistas rasas (sepulturas feitas com lajes de pedra ou paredes simples), outras em tumbas escavadas diretamente no solo vulcânico compacto. Destacam-se cinco tumbas semelhantes a poços, com acessos verticais que conduzem a pequenas câmaras funerárias.
Duas dessas estruturas estavam em uma mesma sala, uma direcionada ao norte e outra ao sul. A tumba do norte possuía duas câmaras orientadas leste-oeste, enquanto a do sul apresentava uma única câmara voltada para o leste. Os poços circulares tinham aproximadamente 80 centímetros de diâmetro e profundidades entre 1,69 e 1,80 metro, com câmaras de dimensões reduzidas.
Na tumba do norte, os arqueólogos recuperaram restos de oito indivíduos, a maioria adultos. Seis estavam sentados, com cerâmicas próximas aos pés; outros dois foram encontrados em posições perturbadas, sugerindo reaberturas sucessivas da tumba. A oferta de 47 vasos miniatura reforça o caráter ritual do espaço, indicando práticas ligadas à memória e à identidade doméstica.
Outros achados incluem ornamentos de conchas, como um pingente semicircular de madrepérola, além de vasos gravados removidos com o solo para microescavação. O sítio integra as fases Tlamimilolpa e Xolalpan, período em que Teotihuacan influenciava o comércio, a arquitetura e os rituais em grande parte do México central. A região de Tula, rica em cal, já era explorada como fonte de matéria-prima essencial para o estuque teotihuacano.
Os pesquisadores ressaltam que Ignacio Zaragoza deve ser compreendido como parte de uma rede regional que abrange sítios como Chingú, El Tesoro e Acoculco, todos sob a influência de Teotihuacan, conectando o local à ascensão de Tula como grande centro tolteca entre 900 e 1200 d.C.
A descoberta amplia o entendimento histórico da região ao revelar comunidades que habitaram e sepultaram seus mortos muito antes da capital tolteca.


