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Arqueólogos descobrem possível santuário helenístico de 2.200 anos na Turquia

A descoberta foi feita em Cayagzi, no distrito de Kiraz

Por Sputnik Brasil com Redação 18/05/2026 06h06
Arqueólogos descobrem possível santuário helenístico de 2.200 anos na Turquia
Foto: © Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

Um bloco monolítico de pedra, quebrado e erguido verticalmente, encontrado próximo a uma antiga estrada no oeste da Turquia, pode ser a chave para desvendar a existência de um santuário rural dedicado a Cibele, a Deusa Mãe da Anatólia.

A descoberta foi feita em Cayagzi, no distrito de Kiraz, região onde novas evidências arqueológicas começam a ressaltar a importância religiosa e estratégica do Vale de Kucuk Menderes no período helenístico.

O vale, que fazia parte da antiga Lídia — reino histórico do oeste da atual Turquia — e conectava cidades como Éfeso, Hipaipa e Filadélfia, é palco de um conjunto de achados analisados pelo pesquisador Ali Ozkan: duas estruturas defensivas helenísticas, um túmulo do século II a.C. e uma estela votiva dedicada a Cibele, erguida como oferenda religiosa.

Esses elementos indicam que Kiraz era mais que uma zona periférica, integrando uma rede protegida e de intensa atividade religiosa.

A estela foi identificada após uma operação de resgate em 2017, motivada por escavações ilegais. Encontrada ao lado de um túmulo danificado e de uma antiga rota, a peça apresenta Cibele em pé, ladeada por dois leões — motivo típico do "tipo Éfeso", comum na Anatólia Ocidental desde o período Clássico Tardio. Sua localização rural sugere a presença de um santuário a céu aberto dedicado à deusa.

Cibele, associada a montanhas, fertilidade e proteção, era frequentemente cultuada em ambientes naturais, cavernas e nichos rochosos. A estela de Cayagzi segue esse padrão, provavelmente como uma oferenda modesta de comunidades agrícolas que buscavam proteção divina para suas atividades e deslocamentos.

Perto da estela, arqueólogos documentaram uma tumba retangular do século II a.C., contendo restos humanos e cerâmicas, como unguentários fusiformes e um lagynos — vaso cerâmico típico do período helenístico, usado principalmente para servir vinho, associado à tradição de Pérgamo. Esses objetos revelam práticas funerárias locais e evidenciam circulação cultural e comercial entre centros helenísticos e comunidades rurais.

As estruturas defensivas de Karaburc e Cayagzi, erguidas em pontos elevados com vista para rotas estratégicas, reforçam o caráter militarizado da região. As técnicas construtivas sugerem datas entre os séculos III e II a.C., época marcada por disputas entre reinos helenísticos pelo controle das terras férteis e das rotas de circulação.

A combinação desses achados — estela votiva, tumba com cerâmica helenística e fortificações — revela uma paisagem onde religião, defesa e cotidiano estavam profundamente conectados. Kiraz integrava um sistema fundamental para cidades maiores, garantindo proteção, mobilidade e práticas rituais.

As descobertas em Cayagzi e Karaburc abrem novas perspectivas para compreender a Kiraz helenística. Pesquisas futuras poderão esclarecer a existência de um santuário dedicado a Cibele, a relação entre o túmulo e assentamentos vizinhos, além do papel das fortificações na rede militar da Anatólia Ocidental.

Por Sputnik Brasil