Ciência, tecnologia e inovação
Chernobyl: cientista enfrenta radiação em labirinto sob reator
Pesquisador monitora núcleo destruído e alerta para riscos ocultos na usina nuclear
Quase quatro décadas após o desastre nuclear de 1986, o reator 4 de Chernobyl, na Ucrânia, ainda exige monitoramento constante. Sob as ruínas da estrutura destruída, um complexo subterrâneo de salas e corredores contaminados continua ativo — e é nesse ambiente que cientistas realizam inspeções periódicas.
O pesquisador Anatolii Doroshenko, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, está entre os profissionais que descem regularmente ao local. Ele percorre o que descreve como um “labirinto” radioativo para verificar equipamentos, coletar dados e acompanhar o estado do combustível nuclear remanescente.
“É como um grande labirinto embaixo do reator”, afirma.

Nessas áreas, a radiação está presente em praticamente tudo: superfícies, objetos e até no ar. Em alguns pontos, o nível de contaminação é tão alto que o tempo de permanência não pode ultrapassar poucos minutos.
“O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação”, explica o cientista.
Além das condições extremas, o ambiente apresenta obstáculos físicos. Há passagens estreitas, baixa iluminação e estruturas danificadas. Mapas de contaminação orientam os trajetos seguros, mas o conhecimento técnico é essencial para evitar riscos.
Cerca de 200 toneladas de combustível nuclear ainda permanecem na unidade 4, segundo estimativas internacionais. Parte desse material está inacessível, sob camadas de concreto instaladas após a explosão. A retirada completa pode levar décadas.

O reator está isolado por estruturas de contenção, incluindo um domo metálico projetado para impedir o vazamento de radiação por até um século. Ainda assim, o monitoramento humano segue indispensável.
“Se pessoas como nós deixarem de descer ali, será iniciado um processo sem controle, o que é perigoso”, alerta Doroshenko.
Apesar dos riscos, o pesquisador afirma que mantém a motivação para continuar o trabalho, que considera essencial para evitar novos impactos ambientais e garantir a segurança da área.
“Chernobyl não deve ser esquecida”, conclui.



