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Perda de 408 bilhões de toneladas de gelo intensifica alta do mar

Estudo revela que degelo global acelera, eleva oceanos e já coloca o planeta em rota de mudanças permanentes

Por Redação com Metrópoles* 18/04/2026 17h05
Perda de 408 bilhões de toneladas de gelo intensifica alta do mar
Ilustração - Foto: Getty Images

As geleiras do planeta registraram uma das maiores perdas já medidas: cerca de 408 bilhões de toneladas de gelo desapareceram apenas em 2025, segundo estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment. O volume coloca o ano entre os piores desde o início das medições, em 1975.

Para o professor de Geografia João Carvalho, do colégio Galois, em Brasília, o dado ajuda a dimensionar a gravidade do fenômeno. “O aumento do nível do mar é o impacto mais imediato quando pensamos no derretimento das geleiras”, explica. Segundo o estudo, só em 2025 o degelo contribuiu com cerca de 1,1 milímetro na elevação global dos oceanos.

O impacto, no entanto, vai além do volume de gelo perdido. O despejo de água doce nos oceanos altera a salinidade e pode interferir nas correntes marítimas, fundamentais para o equilíbrio climático. “Territórios próximos ao nível do mar podem perder áreas para o avanço dos oceanos”, afirma João.

O levantamento também aponta que todas as principais regiões glaciais do mundo perderam massa pelo quarto ano consecutivo, reforçando uma tendência contínua de aceleração do degelo.

As geleiras têm papel importante na regulação térmica do planeta. Segundo o professor Marcos Bau, da Maple Bear Brasília, o gelo atua como um refletor natural da radiação solar. “Quando há derretimento acelerado, essa capacidade diminui, o que intensifica o aquecimento global”, diz.

Esse processo afeta diretamente o clima, aumentando a frequência de eventos extremos, como chuvas intensas, secas prolongadas e ondas de calor, já observados em diferentes regiões, inclusive no Brasil.

De acordo com o estudo, o ritmo atual de perda de gelo está muito acima do registrado no século passado. Nas últimas décadas, a taxa anual de degelo quase quadruplicou, evidenciando o avanço do aquecimento global.

Para Bau, parte dessas mudanças já é irreversível. “Mesmo que o aquecimento seja controlado, parte dessas perdas já está comprometida. Estamos diante de mudanças que devem durar gerações”, afirma.

O avanço do degelo em 2025 reforça um cenário de transformação climática profunda, com impactos diretos no nível do mar, no clima e na disponibilidade de água doce nas próximas décadas.

*Com informações de Metrópoles