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Americano lucra milhões ao vender terrenos na Lua desde 1980

Dennis Hope explorou brechas legais e afirma ter ganho milhões com venda simbólica de lotes no espaço

Por Redação com BBC News Brasil 09/04/2026 16h04
Americano lucra milhões ao vender terrenos na Lua desde 1980
Dennis Hope passava por um divórcio quando teve a ideia milionária que mudou sua vida - Foto: Reprodução

Um americano afirma ter se tornado milionário com um negócio inusitado: a venda de terrenos na Lua. A ideia surgiu em 1980, quando Dennis Hope, então em dificuldades financeiras, decidiu transformar o espaço sideral em oportunidade de lucro.

Para viabilizar o plano, Hope recorreu ao Tratado do Espaço Exterior, de 1967, documento da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece que a Lua e outros corpos celestes não podem ser reivindicados por países. A partir dessa brecha, ele interpretou que pessoas físicas poderiam alegar posse.

“Era uma terra sem dono”, afirmou Hope ao justificar sua decisão.

Sem receber contestação após enviar uma declaração de propriedade à ONU, Hope passou a vender lotes na Lua, além de terrenos em planetas como Marte, Vênus e Mercúrio. Segundo ele, o negócio ganhou escala ao longo dos anos, com milhares de vendas diárias.

“Não é muito científico, mas é divertido”, disse, ao explicar como escolhe os terrenos no mapa lunar.

O empreendedor também afirma ter arrecadado cerca de US$ 12 milhões com a atividade, que se tornou sua principal fonte de renda desde a década de 1990. Entre os supostos compradores, ele cita celebridades, ex-presidentes dos Estados Unidos e grandes empresas.

Para dar suporte à iniciativa, Hope criou uma estrutura chamada “Governo Galáctico”, com Constituição própria e alegações de relações diplomáticas — informações que não foram confirmadas de forma independente.

Apesar da narrativa, especialistas em direito internacional contestam a legalidade do modelo. O Tratado do Espaço Exterior determina que o uso do espaço deve beneficiar toda a humanidade, e não reconhece a propriedade privada de corpos celestes.

“Não”, respondeu a professora Claire Finkelstein, especialista em direito internacional, ao ser questionada sobre a possibilidade de alguém ser dono da Lua.

Ainda assim, o caso levanta debates sobre lacunas na legislação espacial, especialmente em relação a atividades comerciais fora da Terra. Enquanto não há regulamentação mais clara, a Lua segue, juridicamente, sem dono — e, ao mesmo tempo, pertencente a todos.