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Pesquisadores encontram nova espécie de fungo "zumbi" em aranhas brasileiras

A linhagem foi encontrada na área florestal da UFV, em Minas Gerais

Por Redação 09/04/2026 13h01
Pesquisadores encontram nova espécie de fungo 'zumbi' em aranhas brasileiras
A espécie foi encontrada na zona florestal da UFV, em Minas Gerais - Foto: Reprodução/Pesquisadores

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, identificaram uma nova espécie de fungo capaz de infectar aranhas e alterar seu comportamento. Batizado de Gibellula mineira, o organismo atua como um parasita que transforma os hospedeiros em uma espécie de “zumbi”.

A descoberta ocorreu durante pesquisas de campo realizadas em áreas de floresta dentro do campus da universidade. Inicialmente, o estudo buscava compreender possíveis mudanças comportamentais em aranhas, mas acabou levando à identificação do novo fungo. Os resultados foram publicados em março na revista Fungal Biology.

O trabalho fez parte do mestrado da pesquisadora Aline dos Santos, sob orientação de Thairine Mendes Pereira e Thiago Gechel Kloss, todos vinculados à UFV.

As coletas do fungo foram realizadas ainda em 2024. Após análises morfológicas e genéticas, além de comparações com espécies já conhecidas, os cientistas confirmaram que se tratava de um organismo inédito. O fungo foi encontrado infectando aranhas da espécie Iguarima censoria, com cerca de 25% da população analisada apresentando infecção.

Segundo a universidade, um dos aspectos que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de aranhas menores apresentarem maior probabilidade de serem parasitadas. “Outro resultado que surpreendeu os pesquisadores foi que aranhas menores apresentaram maior probabilidade de serem parasitadas, um padrão inesperado que levanta novas questões sobre a dinâmica da interação entre o fungo e suas aranhas hospedeiras”, afirma a UFV em comunicado.

Apesar de lembrar produções como a série The Last Of Us, em que fungos transformam humanos em criaturas agressivas, os pesquisadores destacam que, na vida real, esse tipo de mecanismo ocorre apenas em insetos e aranhas, sem oferecer risco às pessoas.

O achado contribui para o avanço do conhecimento sobre a relação entre fungos e aracnídeos, além de reforçar que ambientes urbanos, como campi universitários, ainda podem revelar descobertas científicas relevantes.