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Maior túmulo escandinavo pré-histórico foi erguido após deslizamento

Historicamente, túmulos da Idade do Ferro são vistos como símbolos de poder social e político

Por Sputnik Brasil 30/03/2026 14h02 - Atualizado em 30/03/2026 15h03
Maior túmulo escandinavo pré-histórico foi erguido após deslizamento
Estudo conclui que a construção incomum e a possível reutilização de madeira proveniente do deslizamento indicam um propósito simbólic - Foto: © Foto / High Speed Two Ltd

Um estudo recente aponta que Raknehaugen, considerado o maior túmulo pré-histórico da Escandinávia, foi construído como resposta ritual a um deslizamento de terra catastrófico, e não como sepultura de uma figura da elite. A conclusão contraria interpretações tradicionais sobre o local, segundo reportagem do portal Phys.org.

Historicamente, túmulos da Idade do Ferro são vistos como símbolos de poder social e político, destinados ao sepultamento de indivíduos influentes. Contudo, Raknehaugen desafia essa lógica.

Raknehaugen em 1906.
Raknehaugen em 1906.
“No entanto, Raknehaugen nunca conseguiu apresentar provas de que se tratava de um túmulo. Isso, aliado à sua construção incomum, levanta dúvidas sobre se o local teria sido originalmente concebido para esse fim”, destaca a publicação.

Localizado próximo a Oslo, o enorme monte de terra foi erguido por volta de 551 d.C., utilizando dezenas de milhares de troncos de madeira organizados em múltiplas camadas de argila, areia e madeira.

Escavações realizadas ao longo dos anos não identificaram um túmulo central, apenas vestígios de restos cremados significativamente mais antigos que a própria estrutura.

Análises recentes apontam que o monte foi construído durante um período de intensa instabilidade climática, causada por erupções vulcânicas que provocaram fome e mudanças ambientais em toda a região norte da Europa.

Escavações (1939-1940) mostrando a segunda camada de madeira exposta.
Escavações (1939-1940) mostrando a segunda camada de madeira exposta.

Os pesquisadores identificaram um antigo deslizamento de terra nas proximidades, sugerindo que o monte tenha sido construído como resposta ritual a um desastre ambiental, e não como local de sepultamento.

O estudo conclui que a construção incomum e a possível reutilização de madeira proveniente do deslizamento indicam um propósito simbólico, relacionado à superação de desastres naturais e à resiliência comunitária.