Ciência, tecnologia e inovação
Descoberta em Cabrera revela novas camadas da ocupação histórica
Equipe de pesquisadores confirmou a existência de construções datadas entre os séculos 10 e 12
Escavações recentes em Sa Font, na ilha de Cabrera, trouxeram à tona um conjunto raro de estruturas e artefatos que enriquecem a compreensão sobre as diferentes fases da ocupação humana no Mediterrâneo Ocidental. Os achados unem vestígios da era islâmica a cerâmicas talaióticas, revelando a complexidade e a diversidade histórica da região.
A equipe liderada por Mateu Riera e Helena Kirchner confirmou a existência de construções datadas entre os séculos X e XII, período correspondente a Al‑Andalus, segundo o Diario de Mallorca. Essas descobertas reforçam evidências anteriores, quando mais de mil fragmentos de cerâmica islâmica já apontavam para a presença de assentamentos na área.
Durante a campanha mais recente, os arqueólogos identificaram estruturas que sugerem ocupação contínua, entre elas uma parede de cinco metros erguida com grandes blocos irregulares. A análise indica que essa muralha foi reparada no período islâmico, embora sua origem possa remontar a épocas ainda mais antigas, possivelmente bizantinas ou pré-bizantinas.

Além da muralha, foram identificados diversos fossos e cavidades da mesma época, cuja função ainda está sob investigação. Os pesquisadores buscam determinar se esses espaços serviam a atividades domésticas, agrícolas ou industriais, o que pode revelar novos aspectos do cotidiano em Cabrera durante a Idade Média.
A descoberta mais surpreendente foi a presença de cerâmicas talaióticas — a primeira identificação desse tipo no sítio. Associada a comunidades pré-históricas das Baleares, essa cerâmica feita à mão indica que Cabrera integrava antigas redes de ocupação ou intercâmbio, muito antes da chegada de romanos e bizantinos.
O sítio também revelou cerâmicas bizantinas dos séculos VI e VII, incluindo peças locais e importadas do Norte da África e do Mediterrâneo Oriental, evidenciando rotas comerciais ativas. Em contrapartida, materiais romanos e pré-romanos surgiram em menor quantidade, oferecendo pistas sobre mudanças nos padrões de povoamento.
Com apoio do Parque Nacional de Cabrera e financiamento europeu, o projeto está previsto para seguir até 2029. As próximas etapas buscarão aprofundar o estudo da cerâmica talaiótica e esclarecer o uso das estruturas islâmicas. Cada nova camada revelada reforça Cabrera como um ponto-chave para compreender a evolução cultural das Baleares ao longo de milênios.


