Ciência, tecnologia e inovação
Uso excessivo de telas tem causado ansiedade e depressão em crianças
Pediatra alerta para impactos físicos, mentais e cognitivos
Em entrevista à GloboNews, o pediatra Daniel Becker fez um alerta contundente sobre os efeitos do uso excessivo de telas na infância e adolescência. Segundo ele, a sociedade precisa compreender a gravidade do cenário atual, marcado por mudanças profundas no comportamento infantil impulsionadas pelas redes sociais.
“A gente precisa aproveitar toda oportunidade para as pessoas entenderem a gravidade do que estamos vivendo. A internet trouxe uma mudança sem precedentes na história da infância e da adolescência”, afirmou.
O médico destacou que o contato precoce com plataformas como o TikTok pode gerar prejuízos imediatos ao desenvolvimento. “Quando vejo uma criança de 5 anos reproduzindo vídeos, fico desesperado, porque estou vendo os danos acontecendo ali ao vivo”, disse.
De acordo com Becker, os impactos vão além da saúde mental. Ele cita problemas físicos, como sedentarismo, distúrbios do sono e prejuízos à saúde cognitiva. “Sem atenção, a criança não consegue aprender, não consegue se concentrar, assistir a uma aula ou até manter uma conversa”, explicou.
O pediatra também apontou queda no desempenho educacional ao longo dos anos, associando o fenômeno ao aumento do tempo de exposição às telas, inclusive em ambientes escolares. “As avaliações de aprendizagem vêm caindo desde 2012, e quanto mais tela, pior o resultado”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a chamada nomofobia - o medo irracional de ficar sem celular. Casos extremos têm sido relatados em reportagens do Profissão Repórter, como o de uma adolescente de 15 anos que apresentou comportamento agressivo durante a abstinência do aparelho: mordeu o pai mais de 40 vezes.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que o uso excessivo de telas pode causar distúrbios do sono, problemas de visão, sedentarismo e obesidade infantil. Já um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta ainda riscos de depressão, ansiedade, déficit de atenção e até queda no QI.
Para Becker, o cenário exige atenção urgente de pais, educadores e autoridades. “As crianças estão perdendo experiências essenciais para o desenvolvimento saudável, como convivência familiar, atividades escolares e esportivas, e estão sendo expostas a conteúdos que podem causar medo e ansiedade”, concluiu.


