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Pesquisadora da Ufal alerta sobre alimentos ultraprocessados nas escolas

Consumo frequente de produtos por crianças e adolescentes no ambiente escolar tem preocupado especialistas

Por Redação com Ufal 12/03/2026 16h04
Pesquisadora da Ufal alerta sobre alimentos ultraprocessados nas escolas
Especialistas se preocupam com alimentos ultraprocessados em cantinas escolares - Foto: Getty Images

O consumo frequente de alimentos ultraprocessados por crianças e adolescentes no ambiente escolar tem preocupado especialistas em saúde e nutrição. Produtos como refrigerantes, salgadinhos de pacote, doces coloridos e bebidas artificiais fazem parte da rotina de muitos estudantes, apesar dos riscos associados à saúde.

Segundo a pesquisadora Leiko Asakura, da Universidade Federal de Alagoas, diversos estudos apontam que esses produtos podem provocar problemas graves ao longo do tempo.

“Os impactos dos produtos ultraprocessados na saúde de crianças e jovens são negativos. Há estudos que mostram associação entre o consumo de refrigerantes e obesidade”, explicou a docente.

Ela acrescenta que alimentos ricos em sal, gordura e açúcar — como macarrão instantâneo, fast food e salgadinhos industrializados — também estão relacionados ao aumento de doenças crônicas. “Esses produtos estão associados ao desenvolvimento de hipertensão e diabetes tipo 2”, destacou.

Diante desse cenário, o Conselho Estadual de Alimentação Escolar de Alagoas publicou neste ano uma resolução que regulamenta a venda de alimentos nas cantinas escolares do estado. A norma prioriza a oferta de frutas, sucos naturais e iogurtes sem adição de açúcar, além de proibir refrigerantes, bebidas artificiais e ultraprocessados com excesso de sódio ou gordura.

A pesquisadora afirma que a iniciativa representa um avanço importante. “Entrei em contato com o presidente do conselho para parabenizá-lo pela iniciativa, já que há também um projeto de lei sobre o tema na Assembleia Legislativa que ainda não foi votado”, relatou.

Dados


Dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas reforçam a preocupação. Informações da Vigilância Alimentar e Nutricional indicam que, entre crianças de até dois anos atendidas na atenção primária em Alagoas, 11,83% apresentam sobrepeso e 7,22% obesidade. Entre crianças de dois a cinco anos, 8,09% têm sobrepeso e 7,5% já apresentam obesidade.

O problema também é observado em escala global. O Atlas Mundial da Obesidade 2026 alerta que a obesidade infantil cresce em ritmo acelerado no mundo e coloca o Brasil entre os dez países com maior número de estudantes com índice de massa corporal elevado.

Para Leiko Asakura, a solução passa pela oferta de alimentos naturais e pelo envolvimento de toda a comunidade escolar. “A garantia de uma alimentação saudável no ambiente familiar, no trabalho e na escola deve ser prioridade de qualquer país que busca proteger a saúde da população”, afirmou.

Ela também destaca o papel das escolas na formação de hábitos alimentares. “A escola é um espaço onde crianças e adolescentes passam grande parte do tempo e tem potencial para ajudar a construir hábitos alimentares mais saudáveis”, disse.

Nas escolas públicas, a mudança tende a ser menos impactante devido à presença do Programa Nacional de Alimentação Escolar, política pública que garante refeições equilibradas para estudantes da rede pública e incentiva a compra de alimentos da agricultura familiar.

Em Alagoas, o programa recebe apoio técnico do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar, ligado à Faculdade de Nutrição da Ufal e referência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O centro atua na capacitação de profissionais e no acompanhamento da execução das políticas de alimentação escolar nos municípios.

“O Pnae é uma política pública de grande importância porque garante alimentação saudável aos estudantes e ainda fortalece a economia local e a agricultura familiar”, concluiu a pesquisadora.