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Cientistas descobrem galáxia feita de matéria escura

Descoberta é importante para o entendimento da formação do universo

Por Redação com VEJA 12/03/2026 11h11
Cientistas descobrem galáxia feita de matéria escura
Galáxia praticamente invisível - Foto: Nasa/Divulgação

A descoberta de uma galáxia praticamente invisível pode explicar um fenômeno que percebemos ao olhar para o céu: por que vemos tantas estrelas e galáxias organizadas em estruturas estáveis pelo Universo.

Usando o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, pesquisadores encontraram uma galáxia com quantidade extremamente pobre de estrelas, batizada oficialmente de Candidate Dark Galaxy-2 (CDG-2), que pode ser composta por cerca de 99,9% de matéria escura. Se a estimativa for confirmada por novas observações, pode se tratar da galáxia mais dominada por matéria escura já identificada, possivelmente entre os sistemas mais escuros já detectados. 

Trata-se de uma forma de matéria que não emite, não reflete e nem absorve luz, o que significa que não pode ser observada diretamente por telescópios. Mesmo invisível, os cientistas sabem que ela existe porque exerce gravidade e influencia o movimento de estrelas e galáxias. Ela é considerada a principal responsável por manter o Universo estruturado. Embora não possa ser vista diretamente, ela exerce gravidade e funciona como uma espécie de “esqueleto cósmico”, sustentando galáxias e aglomerados de galáxias. Hoje, os cientistas estimam que ela seja cerca de cinco vezes mais abundante do que a matéria comum, aquela que forma estrelas, planetas e todos os objetos visíveis. Sem essa estrutura invisível, muitas galáxias simplesmente não conseguiriam manter suas estrelas orbitando juntas, o que alteraria profundamente a aparência do céu noturno.

É justamente por isso que descobertas como a da CDG-2 são importantes. Ao estudar uma galáxia composta quase totalmente de matéria escura, os astrônomos conseguem observar de forma mais “pura” o comportamento dessa substância misteriosa. Em galáxias como a Via Láctea, onde está o Sistema Solar, a matéria escura também domina a massa total, mas está misturada a bilhões de estrelas, gás e poeira cósmica, o que torna sua análise muito mais complexa.

Outro aspecto relevante é que objetos como a CDG-2 pertencem à categoria das chamadas galáxias de baixo brilho superficial — sistemas com pouquíssimas estrelas visíveis. Isso significa que elas praticamente desaparecem nas observações tradicionais, sendo detectadas apenas com telescópios extremamente sensíveis.

Desde a década de 1980, milhares dessas galáxias foram identificadas, mas encontrar um exemplo tão extremo pode ajudar a esclarecer como elas se formam e por que algumas produzem tão poucas estrelas.