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Dia da mulher cientista: alagoanas fazem a diferença no estado e no mundo

Conheça mulheres que fazem a diferença no campo científico do estado

Por Redação com assessoria 11/02/2026 17h05
Dia da mulher cientista: alagoanas fazem a diferença no estado e no mundo
Thaís Fraga, Roberta Caldas e Leticia Januzi - Foto: ASCOM Ufal

O dia 11 de fevereiro foi instituído, em 2015, como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data também inspirou a implantação, em Maceió, do Dia Municipal das Mulheres na Ciência, a partir de um projeto de Lei implantado pela vereadora Teca Nelma (PT).

Além do simbolismo internacional de combate à desigualdade e promoção do acesso e participação feminina à Ciência, a data não foi escolhida à toa: a maioria das pesquisas da área de saúde da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) é regida por mulheres, atingindo um percentual de 60% dentre os 1.172 pesquisadores do Hospital Universitário.

A Universidade ainda conta com um programa científico pioneiro que destaca o protagonismo feminino na área de exatas, o FEMEA-IM, de onde surgiram trabalhos premiados.

Conheça as pesquisas de quatro mulheres que fazem a diferença e promovem profundos impactos sociais positivos e transformadores para o estado de Alagoas e no mundo:

Vigilância científica para prevenir infecções hospitalares


A pesquisa conduzida pela bióloga e professora de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/UFAL) Thaís Fraga estuda as possíveis fontes de contaminação no ambiente hospitalar, incluindo a identificação e monitoramento da presença de fungos patogênicos. A pesquisa investiga isolados clínicos e ambientais dos gêneros Aspergillus e Candida, com foco na resistência aos antifúngicos.

Os estudos envolvem a coleta de amostras do ar, de superfícies e de objetos de uso rotineiro no hospital, permitindo mapear possíveis fontes de contaminação. Graças à pesquisa conduzida por Thais, fungos patogênicos foram identificados em áreas críticas do HUPAA, como o Centro de Terapia Intensiva adulto e neonatal.

Atualmente, a equipe avalia se esses microrganismos apresentam resistência aos medicamentos utilizados no tratamento. “A partir dos resultados, o hospital pode aprimorar medidas de biossegurança, ajustar protocolos de limpeza, inclusive de equipamentos sensíveis, como incubadoras neonatais, além de adotar estratégias preventivas mais eficazes”, explicou Thaís.

Humanização do parto e redução de riscos


A anestesiologista e pesquisadora Roberta Caldas, transformou o tema do seu mestrado em um programa assistencial que hoje beneficia gestantes atendidas no hospital. O Programa de Analgesia de Parto oferece às mulheres a possibilidade de alívio da dor durante o trabalho de parto normal, com acompanhamento da equipe de anestesiologia e participação de residentes.

A iniciativa contribui para reduzir a taxa de cesarianas desnecessárias, solicitadas em decorrência da fadiga materna e dor intensa. Além do conforto para a gestante, o programa traz benefícios para o bebê, ao reduzir o risco de sofrimento fetal associado ao estresse materno. “Quando promovemos um parto com alívio da dor, ampliamos as chances de um parto normal mais seguro e humanizado”, destacou.

Novas esperanças para solução de doenças complexas


Letícia Januzi desenvolve duas pesquisas que chamam a atenção pela complexidade médica e por serem temas pouco explorados a relação entre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico (tipo de derrame causado pelo entupimento da artéria do cérebro) e a Doença de Chagas, além da Trombose Venosa Cerebral (TVC), considerada uma doença rara.

A pesquisa sobre Chagas investiga a eficácia dos anticoagulantes diretos orais quando comparados ao medicamento padrão, varfarina, nos pacientes que sofreram AVC isquêmico associado à infecção. O estudo avalia a recorrência do AVC e os desfechos funcionais dos pacientes.

Já a pesquisa sobre Trombose Venosa Cerebral busca compreender melhor a epidemiologia da doença no Brasil, reunindo dados de pacientes diagnosticados desde 1995, acompanhados no ambulatório de referência do HUPAA-Ufal.

Letícia explicou que a Doença de Chagas ainda é negligenciada e endêmica no Nordeste e a Trombose Venosa Cerebral é rara. “Por isso, precisamos participar de estudos multicêntricos, com um número maior de pacientes. Assim, ajudamos a melhorar o entendimento e o tratamento das doenças, proporcionando novas esperanças e soluções para esses pacientes afetados”, finalizou.

Matemática antirracista e decolonial como ferramenta de reparação histórica e tecnológica

Professora Juliana Theodoro. Foto: reprodução/ arquivo pessoal




O tema foi objeto do artigo da professora Juliana Theodoro, vice-diretora do Instituto de Matemática (IM-UFAL) e coordenadora do projeto FEMEA-IM, em parceria com a professora Cleonis Viater, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Juntas, elas escreveram o artigo "Educação e Transição Justa: caminhos para a equidade social em tempos de transformação - matemática antirracista e decolonial como ferramenta de reparação histórica e tecnológica".

A matemática antirracista é um dos temas de pesquisa aplicados ao ensino básico e defende a necessidade de uma transformação profunda nos sistemas educacionais, utilizando a matemática como elemento central para promover a equidade social e combater o racismo estrutural.

O trabalho levou a Cátedra Elena Piscopia, promovida pela Organização de Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e a Cultura (OEI) em parceria com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), que tem como objetivo impulsionar políticas públicas de inclusão que surgem através do conhecimento crítico e interdisciplinar.