Ciência, tecnologia e inovação
Cientistas desenvolvem método para monitorar queda de detritos espaciais
Pesquisadores sugerem que esses instrumentos são capazes de registrar os choques sonoros gerados pela entrada de objetos espaciais na atmosfera
Cientistas identificaram que detritos espaciais, ao penetrarem a atmosfera terrestre, provocam choques sonoros detectáveis por sismógrafos — equipamentos originalmente projetados para monitorar terremotos, segundo o portal Science Alert.
Embora os sensores sísmicos tenham sido desenvolvidos para captar sinais acústicos provenientes do interior profundo da Terra, pesquisadores sugerem que esses instrumentos também são capazes de registrar os choques sonoros gerados pela entrada de objetos espaciais na atmosfera, rastreando o cone de Mach desses corpos celestes.
O cientista planetário Benjamin Fernando, da Universidade Johns Hopkins, e o engenheiro Constantinos Charalambus, do Imperial College London, testaram essa hipótese durante a reentrada do módulo orbital Shenzhou-15, em 2024.

Em 2 de abril de 2024, o Shenzhou-15 adentrou a atmosfera sobre a região sul da Califórnia. Com 2,2 metros de comprimento e pesando 1,5 tonelada, o módulo representava risco potencial para a aviação e infraestrutura terrestre.
"De acordo com dados sísmicos, o módulo estava se movendo a uma velocidade de cerca de Mach 25 a 30, condizente com as características orbitais do objeto antes da reentrada, o que corresponde a aproximadamente 7,8 quilômetros por segundo", aponta o estudo.
Apesar de o módulo ter queimado completamente na atmosfera, os resultados demonstram que as estações sísmicas podem monitorar com eficiência e precisão as características da reentrada atmosférica.

Os pesquisadores observaram ainda que, embora um forte sinal explosivo tenha sido registrado no início da queda, posteriormente ele se fragmentou em uma cadeia complexa de múltiplos sinais menores — fenômeno compatível com relatos de fragmentação do objeto.
Os dados obtidos pelos sensores sísmicos permitiram medições precisas não apenas da reentrada, mas também de informações como velocidade, altitude, tamanho, ângulo de incidência e momento da fragmentação do módulo durante a queda.
"As observações da fragmentação múltipla em cascata possibilitam compreender melhor a dinâmica do decaimento do lixo espacial, o que traz implicações importantes para a conscientização sobre o ambiente espacial e para a mitigação dos riscos associados ao lixo espacial", destacam os autores do artigo.
Com informações detalhadas sobre localização, velocidade e ângulo de queda dos detritos espaciais, os cientistas poderão estimar com maior precisão o local provável de impacto de seus fragmentos na superfície terrestre.


