Força muscular deve entrar no acompanhamento da menopausa, alerta ortopedista
A menopausa costuma ser lembrada pelas ondas de calor, pelas noites mal dormidas e pelas oscilações de humor. Mas a transição hormonal também mexe com a massa e a força dos músculos, com a mobilidade e com a resistência dos ossos. Em muitos casos, essas mudanças só recebem atenção depois de uma queda, de uma fratura ou quando tarefas simples do dia a dia começam a ficar difíceis.
Para o ortopedista Lafayette Lage, especialista em cirurgia e preservação do quadril, cuidar da mulher nessa fase significa também acompanhar sua capacidade de se movimentar, sustentar o próprio corpo e manter a independência ao longo dos anos.
Uma pesquisa publicada na revista científica Hormones ajuda a medir o problema. Os autores avaliaram 194 mulheres saudáveis, de 21 a 82 anos, e mediram a força de preensão manual, o gesto de apertar um aparelho com a mão. Os resultados foram comparados com indicadores de densidade e qualidade óssea. Apesar de simples, o teste é usado na prática clínica como sinal indireto da força muscular geral e da condição funcional de uma pessoa.
A diferença entre os grupos foi significativa. As mulheres que ainda não tinham passado pela menopausa registraram força média de 222 newtons. Entre as pós-menopáusicas, a média caiu para 190 newtons. O estudo também encontrou associação entre força muscular e medidas ósseas, principalmente nas mulheres após a menopausa.
Segundo a análise, a força tende a crescer até por volta dos 40 anos e, a partir daí, entra em queda mais acentuada. No modelo usado pelos pesquisadores, a perda estimada foi de 4,72 newtons por ano depois desse ponto. O número não serve como previsão para cada mulher, mas mostra por que a prevenção precisa começar antes que a fraqueza fique evidente na rotina.
Vários fatores em jogo
Não há uma causa única. O envelhecimento, por si só, reduz a quantidade e a qualidade do músculo. A queda do estrogênio na menopausa pode acelerar o processo, mas o resultado depende também de atividade física, consumo de proteínas, vitamina D, peso corporal, sono e outras condições de saúde. Atribuir toda a perda de força à menopausa, portanto, seria um erro.
A ligação entre músculo e osso é decisiva. Ao se contrair, o músculo gera carga sobre o esqueleto, o que ajuda a preservar a estrutura óssea. Ossos mais frágeis, por sua vez, tornam qualquer desequilíbrio ou queda mais perigoso. Quando perde força, a mulher tende a se movimentar menos; movimentando-se menos, perde ainda mais músculo. É assim que se forma um ciclo de fragilidade.
Sinais de alerta
Na avaliação de Lafayette Lage, o cuidado precisa mudar de foco: em vez de esperar a limitação aparecer, é preciso observar sinais anteriores. Dificuldade para subir escadas, levantar-se de uma cadeira, carregar compras ou manter o equilíbrio estão entre eles. Esses sinais não fecham diagnóstico, mas indicam que vale procurar uma avaliação profissional.
O treino de força costuma ter papel importante nessa estratégia. Exercícios bem orientados ajudam a preservar a musculatura, melhorar o equilíbrio e manter a autonomia. A escolha da atividade, porém, deve considerar a condição física da mulher, o histórico de dores, a presença de osteopenia ou osteoporose e outras doenças. Não existe receita única, e começar com cargas inadequadas pode aumentar o risco de lesão.
Limites do estudo
A pesquisa reforça a utilidade de avaliações simples, como a medida da força da mão, mas o teste não basta sozinho para um diagnóstico. A força precisa ser analisada junto com a história clínica, o exame físico, a densitometria quando indicada e outros fatores de risco para quedas e fraturas.
A conclusão prática é que a menopausa não deve ser acompanhada apenas pelo peso na balança ou pela intensidade dos sintomas. A força muscular também é um marcador de saúde. Preservá-la protege a mobilidade, reduz a vulnerabilidade a quedas e aumenta as chances de envelhecer com autonomia. Quanto mais cedo esse cuidado entra na rotina, menor a chance de a mulher só buscar ajuda depois de uma fratura ou de perder parte da independência.
João Costa é Jornalista, Assessor de Imprensa, é Membro da API (Associação Paulista de Imprensa), é "Prêmio Odarcio Ducci de Jornalismo, é "Prêmio de Comunicação pela ABIME – Associação Brasileira de Imprensa de Mídia Eletrônica, Digital e Influenciadores, é Prêmio Iberoamericano de Jornalismo, é Referência em Comunicação pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação – ANCEC, tem reconhecimento por Direitos Humanos pelo Instituto Dana Salomão e Menção honrosa do Lions Clube Internacional- Rio do janeiro. Teve participação ativa em eventos da Embaixada do Gabão no Brasil em Brasília, tendo inclusive, sido intérprete de discurso a convite do Embaixador do Gabão no Brasil, em jantar beneficente, com a presença do Vice-Presidente da República Federativa do Brasil. O mesmo possui participação em workshops, webinars, congressos e conferências.
