O movimento contagiante que pode mudar o curso final da batalha entre Lula e Flávio Bolsonaro
Na curtíssima campanha do 2° turno, eleitores de Lula ganham visibilidade com grandes manifestações de rua
Marcado pelo curto tempo de campanha, o segundo turno da disputa presidencial começou morno, dominado por um sentimento de euforia e desconfiança de bolsonaristas e por certa apatia dos apoiadores de Lula.
A 'virada' de Flávio surpreendeu os dois lados e o efeito de sua vantagem, captado imediatamente após a votação, acabou sendo visto com naturalidade, como indicaram as primeiras pesquisas voltadas para o segundo turno, com o senador seguindo em vantagem.
Mas, afinal, o que aconteceu nas urnas?
Flávio Bolsonaro se saiu bem, mas não venceu por clara e objetiva opção da maioria dos eleitores.
Sua votação, superior à de Lula em 2,2 milhões de sufrágios, se deu com a migração de última hora de indecisos apoiadores de Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema. Simples assim.
As teorias, certo, são várias, mas o resultado das urnas refletiu de fato a acomodação de Lula, que a rigor não fez campanha, optando por adotar ações de governo como reajuste do Bolsa Família, proibição das Bets, redução do IR para valer só em 2027, por aí.
O próprio 'exército digital' de Lula só entrou em ação após o veredito das urnas, ou seja, na largada rumo à votação decisória.
Em certo momento, na reta de chegada do 4 de outubro, a maioria das pesquisas apontava Lula se aproximando de uma vitória já no primeiro turno, à medida que o pelotão de baixo (Cury, Caiado, Renan e Zema) desidratava perdendo eleitores, mas a previsão não se confirmou em meio uma inesperada e tremenda abstenção.
E quanto ao segundo turno?
Começou em clima de marasmo - salvo pelo enfrentamento das mídias digitais e pela guerra de ações no TSE - até que um segmento com força inestimável resolveu intervir: os estudantes.
De repente, após um chamado da UNE (União Nacional dos Estudantes), mobilizações de peso eclodiram pelas ruas e avenidas dos grandes centros se espalhando pelo Brasil afora.
Flávio sentiu, o comando da campanha bolsonarista sentiu, mas as multidões que ocuparam a Avenida Paulista no domingo (11) e a orla de Copacabana no feriado de Nossa Senhora de Aparecida, assumiram uma dimensão excepcional.
Assombraram a oposição e, gerando efeito cascata, sacudiram as forças que apoiam a reeleição de Luiz Inácio.
A campanha, com certeza, vai continuar apertada, uma disputa voto a voto, mas a redefinição do segundo turno pode estar se operando com o engajamento da classe estudantil ao lado do presidente Lula.
Não se trata aqui de direita ou esquerda. Trata-se de um segmento que influencia as famílias e contagia as ruas, uma voz coletiva que se impõe perante a nação justamente por ser a voz que, afinal, representa o futuro da Pátria e de todos que nela vivem.
Não obstante, já ficou mais do que evidente: o embate Lula x Flávio do próximo dia 25 será duríssimo.
