Bem que JHC não queria ir à televisão para debater sozinho com o escolado Renan Filho
Tenso, nervoso, ex-prefeito fica 'estranho' durante confronto e acaba triturado no duelo verbal
João Caldas, o filho, tinha razão. Não deveria ir a debate. Os números das pesquisas amigas não estavam bons? Sim. Favoráveis? Sim. Então, pra que medir forças?
Havia comparecido ao debate da TV Pajuçara e se deu mal. Diante de um Renan Filho impetuoso, implacável mesmo, saiu por baixo. Apanhou feio. Depois do baque, decidiu manter distância das TVs. Nada de desafios. Correr risco de nova sova, nem pensar.
Faltou a vários reptos, ganhou o apelido de 'fujão' e seguiu evitando as câmeras.
Até que a Rede Globo anunciou sua jornada de debates nos Estados. Aqui, a afiliada TV Asa Branca preparou tudo e o anúncio ficou no ar: Renan Filho X JHC, último debate da campanha.
E aí, João Caldas, dentro ou fora? Encarar a fera ou passar à margem de deslizes e estocadas?
A turma da campanha falou mais alto, os números das pesquisas amigas já não permitiam acomodação e não seria 'normal' deixar Renanzinho falando sozinho para a maior audiência televisiva de Alagoas.
E eis JHC na parada. Sabia que, prefeito, deputado federal, governador duas vezes e melhor ministro dos Transportes da era Lula, Renan tinha mais história e um volume de obras e projetos sociais muito, infinitamente superior a sua gestão de enfeites em Maceió. Mas, havia confirmado presença, tinha que comparecer. Outra fuga seria a derrocada precoce da candidatura...
Debate?
Sim, houve, mas o ponto marcante não não foi o confronto de propostas. Nem a exibição e o comparativo dos feitos de cada um. Nem mesmo os insultos e a troca de acusações dominaram a assistência.
A grande 'atração', o que de fato chamou a atenção da plateia intrigada e perplexa foi a postura de JHC. Quer dizer, sua imagem estática, imóvel, vidrada sempre que Renan expunha seus projetos, desfiava montes de obras e realizações. Não era riso, não era ar de deboche, parecia mais uma hipnose. Isso fez muita gente achar que o ex-prefeito tomara remédio antes de ir à televisão.
Ereto, teso, cabeça fixa, olhar perdido, 'sorriso' amarelado - a expressão de quem agonizava ansiando pelo fim do enfrentamento.
Ao seu lado, Renan Filho deitava, rolava e bailava quando, insultado e diante de ofensa dirigida ao seu pai, foi cruel na reação:
-- Diz que você usa uma sigla (JHC) para esconder o nome do seu pai (João Caldas, ex-deputado denunciado na Operação Sanguessuga, da Polícia Federal).
Foi um banho. Enquanto o contendor divagava e não conseguia concluir suas intervenções, Renan massacrava enumerando realizações junto com o governador Paulo Dantas: "Doze hospitais, mais de 20 UPAs, dezenas de Creches CRIA, mais de 130 Escolas de Tempo Integral, dezenas de CISPs na capital e interior, rodovias novas e duplicadas, adutoras, ampliação dos Sistemas de Água Pratagy e Cardoso, Cartão Escola 10 (prometeu elevar para 1.000) concursos públicos.
O emedebista também responsabilizou JHC pelo rombo de R$ 97 milhões do caso IPREV/Master (dinheiro subtraído dos servidores aposentados de Maceió), expôs o endividamento do município e explorou a podridão, o lixo que tomou conta da capital alagoana.
Em um instante de audácia, JHC criticou Renan por relevar a metade do mandato de senador para disputar o governo alagoano. Quem fala. Logo ele, que abandonou a Prefeitura apenas um ano e quatro meses após assumir o cargo...
Não foi um jogo, apenas um treino com chuva de gols.
Moral do enredo: o ex-prefeito JHC sabia o que estava fazendo quando escapulia, a todo custo, para não debater cara-a-cara com Renan Filho.
