Mobilização de mulheres e noticiário adverso desgastam imagem de Arthur Lira na reta final
Deputado também enfrenta estigmas do 'orçamento secreto', do Imposto de Renda e da Operação Taturana
Em sua luta para conseguir um mandato de senador, o deputado Arthur Lira sabia que o seu grande desafio seria se livrar de um 'estigma' chamado 'emendas parlamentares'. Coisa atual.
Nos governos de Jair Bolsonaro e Lula, Arthur Lira foi o principal protagonista do esquema que repassou bilhões de reais em emendas aos deputados federais.
Sem projetos, sem controle e sem transparência, a liberação desses recursos bilionários foi rotulada de 'orçamento secreto', o que levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal, a suspender os repasses obscuros, imorais e descontrolados.
Mas outro fantasma rondava Lira desde 2007: a condenação no âmbito da Operação Taturana, esquema de desvios de dinheiro da Assembleia Legislativa de Alagoas, que consistia no seguinte: os deputados estaduais contraíam empréstimos e pagavam com verbas dos próprios gabinetes.
Nesse processo, Lira foi condenado por "improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito".
De quebra, o parlamentar havia ficado mal na foto "por haver - conforme denúncia do senador Renan Calheiros - engavetado o projeto que isentava do pagamento de Imposto de Renda quem ganha até 5 mil reais".
Barra pesada? Com certeza.
Mas a situação do candidato ao Senado e aliado do ex-prefeito JHC piorou muito na reta final da campanha com um movimento de mulheres acusando-o de agressões físicas (sem explicitar vítima) deixando no ar, porém, uma referência a sua ex-esposa, Jullyene Lins. As denúncias, lá atrás, foram feitas pela própria Jullyene e ensejaram processo judicial contra o parlamentar.
A mobilização feminina 'em cima da hora' tem a efetividade de Kátia Born, ex-vereadora, secretária de estado, duas vezes prefeita de Maceió e conhecida pelo vigoroso ativismo político.
Lira recorreu à Justiça Eleitoral buscando excluir posts das redes sociais, mas observadores avaliam que o estrago eleitoral parece inevitável e só poderá ser devidamente mensurado no dia da eleição.
Tratando-se de um deputado federal e ex-presidente da Câmara, o imbróglio fatalmente ganharia ampla repercussão.
O Metrópoles, por exemplo, publicou reportagem com o título "Arthur Lira vai à Justiça contra campanha de mulheres sobre violência de gênero que não cita seu nome".
O vídeo mais forte, em exibição nas TVs, diz: "Candidato ao Senado que bate em mulher tem que apanhar nas urnas".
Como enfatiza o Metrópoles, o vídeo não menciona o nome de Arthur Lira, mesmo assim o deputado apelou à Justiça para exclui-lo, alegando tratar-se de "mentiras e fake news".
Para completar o desgaste de Lira, na recente visita a Maceió o presidente Lula foi enfático: "Meus candidatos ao Senado estão aqui, Renan Calheiros e Dr. Wanderley", disse abraçado aos dois diante da multidão concentrada na Praça Marechal Deodoro.
