Ao ignorar ex-prefeito e abraçar Renan Filho em Maceió, Lula trata JHC como 'figura menor' fadada ao fracasso eleitoral

Presidente calculou que, até fazendo simples alusão crítica, sua fala atribuiria importância a João Henrique Caldas

Por Blog do Romero 28/09/2026 07h07
Ao ignorar ex-prefeito e abraçar Renan Filho em Maceió, Lula trata JHC como 'figura menor' fadada ao fracasso eleitoral
Lula sacramenta apoio a Renan Filho e desmonta encenação de JHC - Foto: Reprodução

Uma pergunta insistente das pessoas após a festejada visita de Lula a Maceio: "Por que o presidente não criticou JHC por explorar sua imagem como se tivesse seu apoio?".

A resposta é simples.

Habituado a enfrentar figurões da política brasileira e internacional, Lula jamais desceria um degrau para mencionar uma figura secundária da política estadual.

Com frequência, o presidente aparece em debates, reptos e conversas com Donald Trump, Vladimir Putin, Emmanuel Macron, Javier Milei, Xi Jinping, Benjamin Netanyahu, gente desse quilate (do bem e do mal), tratando de questões globais e também de interesses bilaterais.

Por que, então, numa visita a Maceió iria, em comício histórico no centro da capital, se referir a um ex-prefeito que teria descumprido um acordo político e tem usado sua imagem fingindo serem aliados?
Como diz Zé do Voto, "tá na cara".

A diferença de status é tão grande e abissal, que a simples menção ao nome do ex-prefeito, ainda que contendo uma reprimenda, só serviria para levantar o astral de JHC.

Portanto, nem uma citação sequer.

Com a experiência e a influência do estadista que, mais uma vez, abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso digno dos aplausos gerais, Lula agiu sob cálculo e medida: abraçou Renan Filho como quem homenageia um candidato vitorioso a caminho do Palácio República dos Palmares.

Aliás, Lula fez muito mais. Diante da multidão comprimida na Praça Deodoro, acabou com a encenação dos adversários que fingiam ser seus aliados divulgando fotos, mostrando o líder petista ao lado de JHC.

Os locais, tudo bem, poderiam baixar o malho. Poderiam repetir o que Renan Filho tem reiterado ao longo da campanha: "JHC é um mestre da mentira".

Mas, convenhamos, partindo do Lula, qualquer alusão atribuiria importância ao adversário. E esse tipo de deslize o presidente jamais comete.

Ignorado, o herdeiro político de João Caldas deve ter sentido e muito. Assim como deve ter sentido quando também foi ignorado pelo arcebispo de Maceió, Dom Carlos Alberto Breis Pereira (o Dom Beto), em ato religioso que tratou da vinda do frei Gilson a Maceió.

Quem já foi ignorado de forma proposital, sabe muito bem como dói e machuca.

Moral da história: além de ter impactado as redes sociais, além de ter promovido mais ainda Renan Filho, Renan Calheiros e Dr. Wanderley - seus verdadeiros aliados e candidatos em Alagoas - Lula detonou a precária e ousada estratégia usada por JHC tentando parecer um candidato endossado pelo presidente. Uma tática chula, barata e arriscada, pois todo o grupo de João Caldas filho sabia que a máscara poderia cair como, de fato, em momento crucial, acabou caindo.

Quem sabe, não acreditavam que Lula, com tantos compromissos em Brasil, viria a Alagoas. Mas o petista veio, viu e, abraçado a Renan Filho governador e a Renan Calheiros senador, deixou seu recado de favorito na corrida presidencial: "Vamos governar juntos e vamos fazer muito mais por Alagoas".

Blog do Romero

Política, governo, análises conjunturais, entrevistas e abordagens eleitorais

Pesquise no blog
Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

Arquivo