Em debate, Renan Filho aciona bomba do Iprev, e JHC não explica transação com Banco Master
Ex-prefeito ataca 'falta de segurança', mesmo com Alagoas registrando queda de 58% dos crimes violentos letais
No debate da TV Gazeta, Renan Filho e JHC dissecaram temas diversos - educação, saúde, segurança, ajuste fiscal, gestão pública, funcionalismo - mas a assistência tinha outra expectativa: queria resposta para o caso do Iprev, o escândalo financeiro que domina as atenções nessa reta final da campanha eleitoral.
E foi aí que o candidato Renan Filho jogou duro ao responsabilizar o ex-prefeito pela desastrada aplicação dos recursos dos aposentados de Maceió no mercado financeiro.
JHC, que já havia divulgado vídeo se defendendo sem falar sobre o aporte de R$ 117 milhões em títulos fraudados do Banco Master, mais uma vez evitou discorrer sobre a transação.
O tucano preferiu repetir que não é investigado, que não autorizou investimentos e que o Iprev elevou seu patrimônio para R$ 1,6 bilhão, apesar de ter usado dinheiro da Prefeitura para completar o pagamento aos inativos.
Renan Filho então fustigou JHC ao lembrar que João Felipe, o personagem que o ex-prefeito trouxe do Rio de Janeiro para ser secretário da Fazenda de Maceió, teve seus bens bloqueados (pelo Supremo Tribunal), a pedido da Polícia Federal, por envolvimento com as perdas do Instituto de Previdência maceioense.
O ministro André Mendonça, como se sabe, também bloqueou os bens do presidente Ronnie Mota e demais implicados com as perdas milionárias do Iprev.
No confronto sobre servidores concursados, JHC vangloriou-se por ter feito concurso para 100 guardas municipais, e teve réplica impiedosa de Renan: "O meu governo contratou 20 mil servidores concursados".
JHC tentou emparedar o emedebista acusando desvios na Saúde, mas de pronto Renan revidou afirmando que o seu adversário estava aliado a político do Sertão denunciado e condenado no rumoroso caso da Operação Taturana, ocorrido na Assembleia Legislativa alagoana.
Apesar dos momentos de tensão, em dado instante JHC buscou mostrar descontração, mas foi dissonante ao 'brincar' com o estilo do cabelo do opositor, algo totalmente impróprio em um debate sobre temas tão sérios e graves.
E aí falou sobre o endividamento do Estado ensejando imediato revide. Após aludir as dificuldades herdadas pelo prefeito Rodrigo Cunha, Renan Filho disse que JHC legou uma Prefeitura tão fragilizada, financeiramente, que o lixo tomou conta da cidade.
Reforçando o que tem feito na campanha, João Henrique Caldas acusou a "insegurança" no Estado, falando em "três mortes por dia". Renan rebateu expondo os avanços na área no exato momento em que o governo alagoano comemora uma queda de 58% nos crimes violentos letais, em comparação aos índices registrados em 2011.
O debate foi pontilhado de acusações de parte a parte, troca de farpas e menção a aliados de ambos os lados.
E o que o confronto mostrou?
Para observadores, a presença de JHC em um debate aberto e transmitido por um canal de TV seria um indicativo de que a real situação do candidato não espelha o que certas pesquisas de intenção de voto têm mostrado.
Lembram que o ex-prefeito vem se mostrando avesso a entrevistas, coletivas e eventos do gênero e salientam que não é comum um candidato em 'posição confortável' assumir esse tipo de exposição.
Analistas também consideram que JHC se livrou de 'outra bomba potente' - o fracasso de Maceió no Ideb - mas preveem que Renanzinho guardou o estopim para acendê-lo no próximo embate.
