Falhas administrativas podem consumir até 15% da receita hospitalar, alerta especialista

Qualidade dos dados e padronização de processos ajudam a reduzir glosas, retrabalho e perdas no setor de saúde

Por Coluna do João Costa 10/09/2026 16h04 - Atualizado em 10/09/2026 16h04
Falhas administrativas podem consumir até 15% da receita hospitalar, alerta especialista
Alice Norberto Saraiva é administradora de empresas especializada em eficiência operacional - Foto: Assessoria

A ineficiência administrativa é um dos principais desafios silenciosos enfrentados pelo mercado de saúde suplementar no Brasil. Estimativas apresentadas pela especialista em governança de dados e eficiência operacional Alice Norberto Saraiva indicam que falhas em processos, glosas evitáveis e inconsistências cadastrais podem representar perdas de até 15% da receita hospitalar.

O impacto não aparece apenas nos resultados financeiros. Informações incompletas ou incorretas também podem atrasar autorizações, dificultar o acompanhamento de contratos e comprometer a tomada de decisões por parte de hospitais, clínicas e operadoras. Em muitas instituições, equipes administrativas chegam a dedicar cerca de 40% do tempo à correção e ao cruzamento de dados entre sistemas que não conversam adequadamente.

Para Alice Saraiva, a discussão sobre inovação no setor precisa começar pela organização das informações que sustentam a operação.

“A qualidade dos dados deixou de ser uma questão de compliance para se tornar o principal diferencial competitivo das operadoras e hospitais”, avalia.

A especialista destaca que a adoção de tecnologias como inteligência artificial depende da confiabilidade das bases utilizadas. Quando os dados de entrada apresentam falhas, sistemas automatizados podem apenas reproduzir e acelerar decisões inadequadas. Por isso, antes da implantação de novas ferramentas, é necessário revisar fluxos, padronizar procedimentos e estabelecer controles de qualidade.

Com oito anos de experiência na área administrativa, sendo quatro dedicados à gestão de processos no setor de saúde, Saraiva participou de iniciativas de otimização durante sua atuação na Unimed-BH. Em uma carteira de beneficiários que era processada majoritariamente de forma manual, menos de 30% dos contratos eram concluídos dentro do prazo considerado adequado. A adoção de fluxos padronizados e controles de qualidade contribuiu para reduzir em 70% o retrabalho relacionado a inconsistências cadastrais e eliminar 90% das atividades manuais envolvidas na operação.

A experiência também mostrou, na prática, como um erro cadastral pode gerar consequências posteriores. Uma informação digitada de forma incorreta no início do processo pode resultar em uma glosa financeira meses depois ou atrasar a autorização de um tratamento para o paciente.

A metodologia desenvolvida pela profissional combina princípios de Lean Management, Six Sigma e governança de dados em saúde. O trabalho começa com o diagnóstico da organização e o mapeamento dos fluxos, passa pela identificação de gargalos e termina com a implantação de mecanismos de governança e acompanhamento dos processos.

Na avaliação de Alice Saraiva, a sustentabilidade financeira das instituições de saúde não depende somente da redução de despesas, mas também da eliminação de perdas que muitas vezes não são identificadas nos controles tradicionais. A melhoria da qualidade dos dados e a estruturação dos processos podem fortalecer o ciclo de receita, reduzir desperdícios e contribuir para um atendimento mais ágil e seguro aos pacientes.

Sobre Alice Norberto Saraiva


Alice Norberto Saraiva é administradora de empresas especializada em eficiência operacional, governança de dados e gestão de processos no setor de saúde. Com experiência no mercado financeiro e na saúde suplementar, desenvolve metodologias voltadas à redução de falhas administrativas, à mitigação de glosas e à otimização do ciclo de receita de operadoras, hospitais e clínicas.

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Coluna do João Costa

João Costa é Jornalista, Assessor de Imprensa, é Membro da API (Associação Paulista de Imprensa), é "Prêmio Odarcio Ducci de Jornalismo, é "Prêmio de Comunicação pela ABIME – Associação Brasileira de Imprensa de Mídia Eletrônica, Digital e Influenciadores, é Prêmio Iberoamericano de Jornalismo, é Referência em Comunicação pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação – ANCEC, tem reconhecimento por Direitos Humanos pelo Instituto Dana Salomão e Menção honrosa do Lions Clube Internacional- Rio do janeiro. Teve participação ativa em eventos da Embaixada do Gabão no Brasil em Brasília, tendo inclusive, sido intérprete de discurso a convite do Embaixador do Gabão no Brasil, em jantar beneficente, com a presença do Vice-Presidente da República Federativa do Brasil. O mesmo possui participação em workshops, webinars, congressos e conferências.

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