Dupla Lira-JHC ignora Flávio em Maceió. E quanto a Lula, o dueto volátil também vai ignorar Luiz Inácio?
Ex-prefeito tenta ser Bolsonaro, na capital, e Lula, no interior. A questão é: o eleitor alagoano vai entrar nessa?
Um espeto de picanha na brasa ou uma caixa do irresistível M&M? O primeiro é oferta do Lula. Já o bombom de cacau evoca a fantástica loja de chocolates que rendeu apetitosas rachadinhas ao ingênuo Flávio Bolsonaro.
Os candidatos aos governos estaduais fazem suas escolhas por uma razão elementar: presidenciável forte é aliado indispensável. Lula e o filho de Jair Messias pesam na balança e podem até decidir disputas nas urnas locais dos estados.
Como, porém, toda regra tem exceção, aqui em Alagoas o candidato João Henrique Caldas foge à norma e tenta emplacar, isso mesmo, não o apoio de um deles, mas de ambos. Uma espécie de gula, fome insaciável mexendo com o organismo político?
Não, nada de insaciabilidade. Como já foi descrito neste espaço, o candidato JHC tem o grosso de seus eleitores concentrado em Maceió, reduto de maioria bolsonarista. Mas sabe que o eleitorado lulista está distribuído no interior e supera em muito os votantes da capital.
E aí, como levar adiante a ousada tática sem risco de afundar no precipício sem volta?
Renan Filho, principal adversário do ex-prefeito, não está nem aí. Amigo e aliado de Lula, não só proclama a união, como ainda provoca o rival. Flávio ou Lula? Não vai se decidir?
A jogada de JHC é uma tática heterodoxa, mas ele parece disposto a seguir em frente. Não diz quem apoia e espera que o eleitor, seja adepto de Lula ou de Flávio, patrocine sua aposta. Um ente supremo, acima de tudo e de todos. E uma fome dos diabos.
O Flávio sabe da situação e não se faz de rogado. Em sua visita a Maceió, no início da semana, e diante da ausência injustificável do candidato coligado com seu partido, o PL, disse em tom maior: "O meu candidato em Alagoas é o JHC". Risos. É? E cadê o homem? Nem o J, nem o H, nem o C. Nada, evaporou.
O eleitor, claro, não gostou e não aprovou João Caldas filho ausente. Sequer recepcionou o presidenciável no aeroporto. E olhe que Flávio é quem predomina junto ao eleitorado de JHC em seu próprio reduto. E acontece que não se ausentou sozinho. Arthur Lira, outro tolinho 'indeciso', também não apareceu, preferiu guardar distância. Escafedeu-se.
Vai dar certo? A resposta cabe aos eleitores, mas, é uma aposta pra lá de arriscada. Se insistir com a estratégia, o ex-prefeito poderá pagar caro, caríssimo, politicamente.
O alagoano do interior vai querer ouvir JHC bater no peito e dizer "sou Lula". Se ele se declarar, tudo bem, mas vai chegar atrasado. Renan Filho zarpou primeiro e declarou-se aliado de Lula. Gravou vídeo junto com o presidente. Já mostrou a Alagoas e ao Brasil Lula ao seu lado, apoiando-o com o peso de sua influência e popularidade.
E então, mesmo assim, JHC dirá que é Lula no interior? Pode ser, mas deve se preparar para a reação da galera na capital. Como é? Virou lulista?...
Some-se a isso uma pendência crucial: Lula atendeu pedido e nomeou a tia do ex-prefeito (Marluce Caldas) para ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). E então, dá pra ignorar o gesto quase paternal nesse momento de decisão eleitoral? Aliás, independente de acordo, a ética, a decência e a gratidão exigem postura séria do ex-prefeito. No entanto, a candidatura de sua companheira Marina Candia ao Senado, concorrendo com Arthur Lira e Renan Calheiros, dispensa comentários...
Com a decisão, sua excelência o eleitor.
