Péssimo pra JHC: com ou sem apoio de siglas, eleitor de centro acaba votando em Lula e Renan Filho
Pesquisas comprovam isso: adeptos de Zema e Caiado também aderem ao petista no 2° turno
Que o eleitorado brasileiro está dividido - uma banda é contra e outra a favor de Lula - todo mundo está cansado de saber.
Os números de toda pesquisa presidencial comprovam: Lula é sempre o preferido do 1° turno, seguido de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, quase sempre nessa ordem (os demais contam pouco).
Acontece que, invariavelmente, a soma dos votos atribuídos a Flávio, Caiado, Zema e Renan supera a votação que garante a vitória de Lula na largada das sondagens.
Então - eis um ataque à lógica - por que no 2° turno os entrevistados desses candidatos de centro não invertem a liderança, favorecendo assim o filho de Jair Bolsonaro?
Precisamente porque, ao contrário dos partidos e seus candidatos, os eleitores de centro se dividem e uma significativa parcela deles acaba votando em Lula.
Sob análise, as pesquisas mostram que, a rigor, o eleitor de centro não quer nem Flávio nem Lula, embora seus candidatos sejam, declaradamente, contra o atual presidente.
E como, no 2° turno, os concorrentes centristas saem de cena, mesmo que eles declarem apoio a Flávio, muitos de seus eleitores preferem votar na reeleição do petista. E o fato é que são esses votantes que acabam decidindo a eleição.
Agora em agosto, mesmo na condição de vice de Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, foi categórico durante entrevista: "O centro vai votar no Lula e Lula vai ser reeleito".
Portanto, partindo dessa constatação, quando se coloca Alagoas no terreno da sucessão presidencial, ganha força e eleitores justamente o candidato a governador Renan Filho (MDB), por marchar com Lula e por ter o apoio do presidenciável favorito.
É uma situação que obriga apontar para a 'sinuca de bico' em que o candidato JHC (PSDB) está metido: o seu reduto, Maceió, tem mais votantes bolsonaristas, porém o interior tem cerca de 75% do eleitorado da capital, uma imensa maioria que vota em Lula e, por conseguinte, no seu amigo e aliado Renan Filho.
É um impasse incontornável para João Henrique Caldas? Parece que sim. Um 'nó cego', mesmo estando o ex-prefeito coligado com o deputado Arthur Lira (PP) disputando o Senado. Ocorre que Lira não tem como transferir o voto de seus eleitores interioranos - a maioria lulista - para um candidato alinhado com o PL, o partido bolsonarista.
No interior de Alagoas, o eleitor até vai aparecer em caminhadas, em concentrações, vai ouvir Lira e JHC, vai rir e até aplaudir, mas, por convicção e até 'por tradição de bons resultados', tende a consagrar o presidente Lula, assegurando-lhe o quarto mandato, e a repetir Renan Filho como governador alagoano, agora pela terceira vez.
