Inteligência artificial amplia eficiência e rentabilidade na indústria global de energia
Tecnologia já ajuda operadoras a antecipar falhas, otimizar reservatórios e reduzir o consumo de energia em refinarias e unidades de processamento de gás
A indústria global de energia atravessa uma das mais profundas transformações tecnológicas de sua história. Depois da digitalização dos campos de produção de óleo e gás, a Inteligência Artificial (IA) passou a ocupar posição estratégica nas operações: processa milhares de dados operacionais em tempo real, antecipa falhas, aperfeiçoa a produção e pode gerar economias de milhões de dólares para grandes operadoras ao longo de toda a cadeia produtiva.
Para a engenheira de petróleo Potiani Maciel, que acumula mais de duas décadas de experiência na indústria de óleo e gás, a tecnologia já deixou o campo das projeções e se tornou uma realidade nas principais empresas de energia do mundo. “O grande desafio nunca foi apenas coletar dados, já que o monitoramento de poços gera um volume gigantesco de informações. A diferença está em usar esses dados de forma inteligente para apoiar decisões operacionais e de negócio”, afirma.
Nos campos de produção, sensores acompanham continuamente pressão, vazão, temperatura e o desempenho dos equipamentos. O gerenciamento e a análise dessas informações permitem que sistemas inteligentes detectem alterações antes que se convertam em problemas, abrindo espaço para uma atuação preventiva, em vez de reativa. A aplicação também alcança o controle e a otimização da produção, incluindo o gerenciamento dos reservatórios.
Os efeitos se estendem para além dos campos. Dados recentes de mercado indicam que soluções de inteligência industrial e de otimização de malha fechada podem reduzir entre 3% e 15% o consumo de energia em refinarias e instalações de processamento de gás, conforme a aplicação e o grau de maturidade digital de cada operação. Nessas unidades, os sistemas de compressão estão entre os maiores componentes do consumo energético; quando monitorados e ajustados em tempo real, tornam-se relevantes para diminuir perdas e elevar a eficiência operacional.
Na prática, a IA é empregada na previsão de falhas em equipamentos, reduzindo eventos não planejados por meio da manutenção preditiva. Também contribui para diminuir paradas não programadas, aumentar a confiabilidade operacional, prolongar a vida útil de ativos e equipamentos críticos e reduzir em até 20% os custos operacionais e de manutenção, conhecidos pela sigla OPEX. Em aplicações específicas, a otimização da produção pode alcançar ganhos de dois dígitos. Outra frente é o acompanhamento da produção de água, que ajuda a identificar precocemente comportamentos indesejados do reservatório.
“A Inteligência Artificial permite prever falhas, recomendar intervenções e otimizar toda a operação. Em vez de reagir a um problema, a empresa passa a atuar preventivamente”, explica Potiani.
Água produzida concentra impacto financeiro
Um dos exemplos mais evidentes do potencial econômico está em poços que passam a produzir água em excesso. Nesse cenário, o custo da operação cresce de forma significativa: separar óleo e água exige infraestrutura adicional, equipamentos especializados e elevado consumo energético. O avanço da água também pode comprometer diretamente a recuperação de óleo no reservatório.
Segundo a engenheira, a identificação antecipada desse processo oferece margem para controlar a zona de produção com válvulas inteligentes de completação. “Quanto mais cedo o avanço da água for identificado, mais rapidamente é possível atuar no controle da zona de produção por meio das válvulas inteligentes de completação. Isso permite retardar a produção excessiva de água, prolongar a vida produtiva do poço e aumentar sua rentabilidade ao longo do tempo”, observa.
Em operações de grande escala, a detecção precoce desses cenários pode resultar em economia substancial. Grandes corporações globais relatam ganhos de até US$ 500 milhões em valor adicional em um único ano apenas com a implantação de soluções de IA em suas cadeias de valor.
Adoção avança em ritmos diferentes
Embora a tecnologia esteja disponível globalmente, a velocidade de implementação depende das características de cada mercado. Avaliado em cerca de US$ 7,6 bilhões, o mercado mundial de IA aplicada à indústria de óleo e gás tem projeção de superar US$ 25 bilhões até 2034.
Arábia Saudita e outras regiões do Oriente Médio avançam rapidamente nos investimentos em IA, favorecidas por grandes campos produtores e elevada capacidade de investimento. No Brasil, a análise demanda recortes distintos. Em campos terrestres maduros, a viabilidade econômica precisa ser avaliada caso a caso, considerando o porte da operação e o potencial de retorno.
O quadro é diferente no pré-sal brasileiro, em águas profundas. Nessa área, os volumes produzidos e a complexidade operacional ampliam o potencial de captura de valor associado às novas tecnologias. “No Brasil, especialmente em campos terrestres maduros, a viabilidade econômica desses investimentos deve ser analisada caso a caso, considerando o porte da operação e o potencial de retorno. O cenário muda significativamente quando falamos dos campos do Pré-Sal brasileiro em águas profundas, onde o volume produzido e a complexidade operacional ampliam o potencial de captura de valor dessas tecnologias”, diz Potiani, ao defender estratégias adaptadas à realidade de cada região.
Integração tecnológica orienta próximos investimentos
Na avaliação da especialista, a próxima etapa de evolução do setor será marcada pela integração entre automação, completação elétrica e Inteligência Artificial. A convergência dessas tecnologias tende a transformar a produção de petróleo e também pode contribuir para reduzir as emissões de CO₂, ao otimizar o uso de energia, diminuir perdas operacionais e ampliar a eficiência dos ativos.
“A tendência é que cada vez mais decisões operacionais sejam apoiadas por IA, tornando as operações mais eficientes, seguras e rentáveis”, conclui Potiani Maciel.
Sobre Potiani Maciel
Engenheira de petróleo com mais de 20 anos de experiência na indústria de óleo e gás, Potiani Maciel atua em uma multinacional do segmento, desenvolvendo projetos na área de completação de poços e tecnologias voltadas à otimização operacional. Referência no setor energético brasileiro e liderança feminina em um mercado altamente técnico, acompanha a evolução da Inteligência Artificial aplicada à indústria de energia e a forma como essa tecnologia influenciará a inovação tecnológica em completação.
Contato para imprensa
Mengucci Imprensa e Mídia
+55 11 99203-1312
João Costa é Jornalista, Assessor de Imprensa, é Membro da API (Associação Paulista de Imprensa), é "Prêmio Odarcio Ducci de Jornalismo, é "Prêmio de Comunicação pela ABIME – Associação Brasileira de Imprensa de Mídia Eletrônica, Digital e Influenciadores, é Prêmio Iberoamericano de Jornalismo, é Referência em Comunicação pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação – ANCEC, tem reconhecimento por Direitos Humanos pelo Instituto Dana Salomão e Menção honrosa do Lions Clube Internacional- Rio do janeiro. Teve participação ativa em eventos da Embaixada do Gabão no Brasil em Brasília, tendo inclusive, sido intérprete de discurso a convite do Embaixador do Gabão no Brasil, em jantar beneficente, com a presença do Vice-Presidente da República Federativa do Brasil. O mesmo possui participação em workshops, webinars, congressos e conferências.
