Bomba-relógio do IPREV explode com devassa da Polícia Federal e bloqueio de bens pelo Supremo
Renan requereu sequestro de valores para ressarcir aposentados e defende responsabilização criminal dos envolvidos
Antes do enfoque central, vale começar com um requestionamento: o Supremo Tribunal mandaria a Polícia Federal investigar uma transação financeira regular e correta?
Então, afigura-se lógico que a operação da PF nesta segunda-feira (10 de agosto) na sede do IPREV - Instituto de Previdência de Maceió - resultou de indícios reais de malversação do dinheiro dos aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió.
E atenção: o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acaba de decretar o sequestro, arresto, bloqueio e indisponibilidade de bens, direitos e valores de: Ronnie Reyner Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves. Marcelo Brasileiro Santos e João Felipe Alves Borges - até o limite de R$ 97 milhões.
No despacho do ministro André Mendonça, Marília Alexandre Lima Alves é citada como integrante do núcleo de governança e vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda de Maceió.
O assunto é altamente enervante, cuja abordagem pública levou o então prefeito João Henrique Caldas, o JHC, a despejar ações na Justiça para proibir a veiculação de matérias, na mídia e redes sociais, citando e relacionando seu nome ao caso. Cabe aqui lembrar que JHC, por atribuição, nomeou os dirigentes do IPREV (depois afastados) que aplicaram R$ 97 milhões em títulos podres e fraudados do liquidado Banco Master, do financista Daniel Vorcaro.
Apreensivo com a repercussão do episódio e com possível dano político e pessoal, JHC tem evitado a todo custo se pronunciar publicamente sobre o escândalo.
Mas com ação dos federais, cumprindo oito mandados de busca e apreensão e devassa dentro da sede do IPREV, a repercussão foi bombástica e imediata.
O senador Renan Calheiros (MDB) lembrou que recentemente pediu a investigação da Polícia Federal e voltou a responsabilizar o agora ex-prefeito JHC.
Renan havia defendido o bloqueio judicial dos bens do ex-prefeito e dos dirigentes do Instituto para ressarcir os aposentados, além de propor a responsabilização criminal dos envolvidos.
O senador entende que não há como isentar João Henrique Caldas porque a danosa aplicação dos recursos do IPREV foi feita por pessoas que o prefeito escolheu e nomeou.
Já o ex-prefeito e atual vereador Rui Palmeira (PSD) denunciou o que chama de "esquema criminoso" e tornou a cobrar explicações de JHC.
Palmeira suspeita que mais pessoas participaram do esquema e quer saber: "Quem está por trás disso? Pois não acredito que o ex-presidente do IPREV fez tudo sozinho. Isso é impossível".
O vereador diz que após denunciar o caso IPREV e cobrar explicações de JHC, passou a sofrer perseguição por parte do grupo do ex-prefeito maceioense.
A direção do IPREV emitiu nota informando que "colabora com as investigações" e ressaltando que "os investimentos seguiram ritos legais" e que "as decisões tomadas foram corretas".
Em tempo: autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal, a operação da PF no IPREV se fundamentou em manifestações da Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público e da própria PF.
