Vice de Flávio por 'critério de exclusão', Alfredo Gaspar cai no 'conto do Arthur Lira'
Bem avaliado para o Senado, ex-procurador topou desafio que conduz ao 'tudo ou nada'
Com fama de tratar mal as mulheres - que o diga e confirme a madrasta Michelle - Flávio Bolsonaro surpreendeu até ele próprio ao anunciar o deputado alagoano Alfredo Gaspar como seu companheiro de chapa.
Contrariou o presidente do próprio partido, Valdemar Costa Neto, que defendia outra opção, provocou críticas de aliados e, obviamente, vai enfrentar forte rejeição do universo feminino na corrida ao Planalto encarando o multifacetado presidente Lula.
Enquanto todos e, especialmente, TODAS esperavam o anúncio de uma mulher para vice, eis que o Bolsonaro Rachatudo apareceu cercado de seis beldades, mas decepcionou ao comunicar a escolha de um marmanjo (sem depreciativo) como parceiro eleitoral.
Eleição é voto, isto é, se ganha com voto, e aí a decisão de Flávio remete a uma questão crucial: quantos votos femininos Alfredo Gaspar vai atrair para ajudar o filho de Jair Messias? Ou, reformulando a pergunta: como as brasileiras vão reagir vendo o Rachadinha trocar a escolha de uma mulher por um 'cabra da peste' - como define epíteto atribuído ao homem nordestino?
Ex-procurador do Ministério Público de Alagoas, Gaspar é um quase novel da política, cumpre seu primeiro mandato (deputado federal) e ficou conhecido por duas situações:
1 - Como relator da polêmica CPMI do INSS, que terminou com centenas de indiciados e nenhuma, nem meia pista ou vestígio da montanha de dinheiro desviado dos aposentados.
2 - Como denunciado por suposto estupro de vulnerável, de acordo com acusação feita pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Thronicke (PSB-MS)
Como dado positivo, teve bom desempenho enquanto secretário de Segurança de Alagoas, graças ao total apoio recebido do então governador Renan Filho.
Seu dado crítico, a denúncia de que teria engravidado uma garota de 13 anos, motivou abertura de inquérito pela Polícia Federal, enquanto Gaspar nega tudo, rebate a acusação e afirma que, para provar sua inocência, submeteu-se a exame de DNA.
Rumoroso, o processo ainda não foi concluído, segue aberto no SupremoTribunal, onde o ministro Gilmar Mendes aguarda manifestação da PF e da Procuradoria Geral da República.
De Flávio, Gaspar recebeu elogios, sendo destacado por sua atuação na segurança pública e por ser representante do Nordeste, região crítica para o bolsonarismo.
Mas ressalte-se: Gaspar não foi escolhido por mérito, e sim porque as mulheres anunciadas por Flávio foram vetadas por seus partidos sob alegação de neutralidade no pleito presidencial.
Junto a isso, pesou e muito o lance de esperteza do deputado Arthur Lira (PP). Diante da indefinição do filho número 1, o herdeiro de Biu de Lira chegou com 'solução mágica': empurrou Gaspar para a contenda nacional e livrou-se do concorrente que o ameaçava em Alagoas.
E assim, 'sem querer querendo,' Alfredo Gaspar engoliu a corda e como vice de Flávio produziu importante reflexo no cenário político alagoano.
Pois ele era um dos três nomes mais cotados para as duas vagas de senador, e sua saída para a disputa presidencial facilita sobremodo a vida do deputado Arthur Lira, que aparecia em terceiro lugar nas pesquisas, atrás do próprio Gaspar e do líder da preferência e candidato à reeleição, o senador e presidente do MDB Renan Calheiros.
Gaspar vice-presidente da República? Política é a arte e o desastre do impossível, mas, até lá, podem chamar isso de
'Gaspar e o conto do tolinho Arthur Lira '.
