O peso que vem 'do alto' e pode decidir a eleição do próximo governador de Alagoas
Sucessão confronta união de Renan Filho e Lula com a 'neutralidade indigerível' de JHC
Marcada pelo confronto ideológico que divide o Brasil em esquerda e direita, a disputa presidencial exercerá grande influência no processo sucessório dos estados.
São muitos os caminhantes rumo ao Planalto, mas o duelo com potencial de finalização reúne apenas dois segmentos: os que votam em Lula e os que rejeitam Lula.
Seria aceitável falar em lulismo e bolsonarismo, mas a realidade e as pesquisas de voto e opinião mostram que não é por aí.
De fato, quando institutos pesquisadores substituem a opção Flávio Bolsonaro por nomes alternativos, o cenário muda quase nada. E isso prova que a verdadeira divisão não é entre Lula e o bolsonarismo, mas entre lulistas e não-lulistas.
O diferencial dessa história está precisamente na força e na influência que Lula exerce, sobremaneira, nos estados nordestinos. Vence em todos com grande vantagem, com votações excepcionais, como registram eleições ao longo da história e como demonstram pesquisas atuais de intenção de voto.
Aqui em Alagoas está assim: Lula tem 57,5% e Flávio Bolsonaro apenas 19% da preferência dos alagoanos. São números quentes do Instituto Falpe divulgados no finalzinho de julho.
Com tamanha vantagem e liderança, o peso que o apoio de Lula vai exercer na escolha dos governadores é um ponto inquestionável.
Os políticos, líderes partidários e candidatos sabem disso, reconhecem o poderio do petista, mas aí surge uma situação curiosa: o ex-prefeito JHC (PSDB) quer contar com o aval de Lula, mas não declara apoio ao presidente porque em Maceió, seu reduto, a maioria dos eleitores vota em Flávio Bolsonaro ou em outro anti-Lula.
Diante disso, João Henrique Caldas se vê obrigado a ficar 'neutro' na precária expectativa de ser visto e apoiado por gregos (na capital) e por troianos (no interior). Funciona? Parece que não, a julgar pela evolução das pesquisas mais atuais.
Enquanto isso, sem dar a mínima para tal questão, Renan Filho (MDB) faz campanha exaltando Lula e mostrando a todos que sua caminhada com o presidente petista é produto de forte amizade, muita confiança, colaboração mútua e perfeito alinhamento político e eleitoral. E sempre envolvendo o histórico de alianças entre o petista e o senador Renan Calheiros. Até porque, após governar Alagoas e também se eleger senador, Renanzinho foi convidado por Lula e assumiu o poderoso Ministério dos Transportes. No cargo, fez muito pela mobilidade e pelo sistema viário alagoanos.
Isso tem funcionado como alavanca e suporte na caminhada do emedebista. Antes, nem tanto, mas hoje o eleitor avalia qual candidato a governador pode ou não contar com o futuro governo federal, com o próximo presidente da República.
Por ser um político da capital, após sua atuação como prefeito de Maceió, JHC conhece a tendência eleitoral do maceioense, mas evita se posicionar por causa do peso dobrado do interior.
O ex-prefeito vai conseguir 'misturar' o eleitorado, cobrindo lulistas e não-lulistas com sua bandeira neutra? E o que fará quando Lula e Flávio vierem para comícios em Alagoas? A campanha dará respostas.
Livre desse tipo de impasse, dessa incontornável questão de neutralidade, Renan Filho tem seu próprio roteiro definido, avança sabendo que já conta com a grande maioria dos municípios (apoiado por cerca de 90 prefeitos) e trabalha para crescer em Maceió lembrando tudo que fez pelo funcionalismo público e pela população em geral como governador.
Além, claro, de contar com a força e o respaldo extraordinário do governador Paulo Dantas - tremenda e irremediável dor-de-cabeça da oposição.
No mais, é acompanhar a disposição e estratégias dos contendores e aguardar o resultado da maratona após o aguardado pronunciamento das urnas de outubro.
