Palhaço cumpre ordem do dono do circo, mas acaba esnobado pelo traquejado 'dono da casa'
Lula exibe civilidade e evita pergunta cruel e desconsertante sobre irmã do desaforado Ja-vi-era Mi-jei
O diálogo telepático, altamente confidencial, foi captado por um operador de IA avulso.
-- Sagui, tá pronto pra representar? Vai lá e toma conta do circo. Se mova como palhaço, sua cara ajuda, faça graça, mas não esqueça de sapecar umas boas em cima do Bode Rouco.
-- Captei, meu chefe. A missão é desafiadora, a galera contra joga duro, pega pesado, mas quem sou eu pra me furtar a uma ordem do meu chefe e financiador?
Intrigado, o operador de IA criou um decodificador e rapidinho identificou os personagens da conversa interceptada. O Sagui era Ja-vi-era Mi-jei, folclórico presidente da inflacionada Argentina. O chefe era o candidato a imperador Donald Trump, o encrenqueiro presidente dos Estados Unidos.
A partir daí ficou fácil entender que os dois estão unidos buscando um objetivo comum: intervir na sucessão presidencial do Brasil.
O boss da Casa Branca conspira porque o governo brasileiro se aproxima cada vez mais de uma China caminhando célere para consolidar sua posição de maior potência do mundo.
Já o desconchavado fantoche da Casa Rosada age como estafeta de um Trump ladino, que salvou o governo do hermano Ja-vi-era emprestando bilhões de dólares. E o fato é que o Sagui não suporta ver o país de Lula superando o seu em PIB, geração de empregos, produção industrial, exportações, enfim, em desenvolvimento e protagonismo internacional.
Batizado de 'Palhaço' pelos trejeitos e aparência circense, após dirigir insultos gratuitos ao presidente Lula, o Mi-jei mostrou que não é de todo tapado e cumpriu bem a diretriz do chefão Trump: 'Se o Bode Rouco perder, a gente entrona o bobão, filho do presidiário golpista, e toma conta desse Brasil que tanto invejamos', disse em descuidada confissão.
E assim o operador de IA deslindou tudo. O fabricante de guerras maquina, sem sutileza, um golpe de fora pra dentro. Para tanto, cria tarifaços, inventa estórias de trabalho forçado, invoca lucros indevidos à custa dos ianques e, com astúcia rasteira, tenta justificar sua ação violenta e conspiratória.
Incapaz de ser coerente, o gozador de Washington de repente viu em Lula um poderoso aliado de Pequim e passou a tratá-lo como terrível inimigo. Esqueceu que, quase ontem, recepcionou o governante brasileiro como um estadista, com tapete vermelho estendido à entrada da Casa Branca, e até falou que havia rolado uma 'química' entre eles no indiscretíssimo Salão Oval.
Curioso contumaz, o operador pesquisou e entendeu melhor a vexatória situação de Trump. Incapaz de derrotar o Irã, de cumprir a 'promessa' de encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia, de impedir a matança de palestinos pelo exército judeu, de conter a decadência americana, de frear o desemprego e a inflação no próprio país, Donald achou de eleger o Brasil como alvo de sua malfadada política intervencionista. E recrutou, quer dizer, transformou Ja-vi-era Mi-jei, político de poucos predicados, em emissário atrevido e desaforado.
Só esqueceu de combinar com a 'vítima', o prá lá de experimentado Luiz Inácio. Que sabia com quem e com o quê estava lidando. De modo que, abordado por um repórter sobre a atitude do zoado Mi-jei na patética convenção de Flávio Rachadinha, reagiu com humor cáustico insuperável:
-- Quem é esse cara?...
Magistral tapa na cara de um indivíduo de baixa compostura que, pelo cargo que ocupa, deveria fazer por onde ser tratado como um chefe de estado.
Lula, porém, acabou se contendo. Poderia ter sido ainda mais cortante, mas preferiu não dirigir ao Palhaço vizinho a pergunta que o arrasaria de vergonha:
-- E sua irmã, Karina Mi-jei, ainda está solta?...
