Efeito Paulo Dantas faz tucano JHC procurar 'cabelo em ovo' para criticar governo que desnorteia oposição
Ex-prefeito reclamou de violência em declínio e até de ocasional queda de energia no HGE
O ex-prefeito João Henrique Caldas, PSDB, começa a dar sinais evidentes de que está sentindo o rolo compressor do governo Paulo Dantas.
No início de junho, enquanto o governador alagoano acelerava sua extensa pauta de inaugurações por todo o Estado, JHC achou de atacar a falta de segurança em Alagoas.
Deslocado no tempo, o ex-prefeito maceioense não apenas fez uma crítica descabida e inoportuna, como abriu o flanco para um contra-ataque instantâneo de Paulo Dantas:
-- Alagoas registra hoje o menor índice de crimes letais violentos (homicídios) desde o início da série histórica em 2012.
E aí o governador, objetivo como sempre, lembrou que no período de 2007 a 2014, sob o governo do PSDB, o partido atual de JHC, Alagoas desfilou pelo topo da criminalidade brasileira.
De fato, nunca os alagoanos haviam enfrentado tantos assaltos, homicídios, ataques a agências bancárias e postos de combustíveis, invasões a residências, roubos de cargas nas rodovias.
Impossível, pois, que JHC não tenha percebido os avanços de Alagoas nas áreas de segurança, saúde e educação nos governos Renan Filho e Paulo Dantas.
Contudo, no final de junho, o ex-prefeito - talvez mal assessorado - voltou à carga criticando o governo de Paulo Dantas devido a uma circunstancial falta de energia no Hospital Geral do Estado (HGE).
Tudo bem, um direito, liberdade de expressão. Mas os assessores deveriam ao menos tê-lo avisado: durante sua gestão na Prefeitura, o PAM Salgadinho viveu sucessivas crises e protestos por mal atendimento, falta de estrutura e escassez de equipamentos operacionais.
A ponto, veja só, de o Ministério Público Estadual entrar com uma ação civil pública contra o Município.
E para o quê? Inadmissivel: para obrigar o comando municipal a tomar imediatas providências a fim de dotar o PAM Salgadinho de medidas de segurança contra incêndio e pânico.
Isso mesmo. Uma das principais unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado funcionando sem Projeto de Segurança contra Incêndio e Emergência e, por cima, sem certificado de Vistoria do Corpo de Bombeiros...
Tudo isso em fevereiro de 2026, portanto, em pleno curso do segundo mandato de João Caldas filho como prefeito de Maceió.
Seria o vale-tudo da política mostrando até aonde pode chegar?
Pois não faz nenhum sentido o prefeito que desembolsou 266 milhões de reais por um hospital que 'já existia', atacar governos que, juntos, construíram ao menos 10 'novos' hospitais e 14 UPAs.
Nos bastidores políticos ouve-se a seguinte avaliação: "Diante do crescimento de Renan Filho (pesquisa do Instituto Vox Brasil mostrou agora em junho o ex-ministro de Lula liderando a corrida ao governo estadual), JHC precisava fazer alguma coisa, bater em alguém, e acabou escolhendo Paulo Dantas como alvo".
No ambiente de tensão que experimenta após a arrancada de Renan Filho revelada em pesquisas de intenção de voto, a oposição não surpreenderá se resolver procurar cabelo em ovo também no sistema educacional alagoano, outro setor nota dez da gestão Paulo Dantas.
Até porque, desde Renan Filho, a educação administrada pelo governo do MDB vive autêntica revolução colocando Alagoas em posição de destaque entre os estados brasileiros, enquanto Maceió amarga um dos piores períodos de sua gestão voltada para o ensino fundamental.

