Sem apoio de Paulo e Lula, aposta de JHC no 'tudo ou nada' confirma tacada de altíssimo risco
Ex-prefeito enfrenta ainda obstáculo irremovível: como disputar o governo sem candidato a presidente?
Os alagoanos irão às urnas em outubro para eleger seis candidatos, mas é sabido que o grande embate, aqui e no resto do país, será a sucessão presidencial.
A eleição de governador importa, claro, mas não tem a mesma dimensão e o magnetismo da escolha do próximo presidente da República.
E nesse previsível cenário, como se arranjará um candidato a governador sem nome para apoiar ao Palácio do Planalto, caso do ex-prefeito João Henrique Caldas?
Certo, ele até pode optar por Lula ou Flávio Bolsonaro, mas terá insanável dificuldade para se explicar ao eleitorado.
Com se sabe, em Alagoas, o mapa eleitoral está nitidamente traçado: Flávio (ou qualquer outro bolsonarista) ganha fácil na capital e perde mais fácil ainda no resto do estado.
Lembrando os números: Maceió tem pouco mais de 'um quarto' (644 mil) dos eleitores do estado (2 milhões 443 mil ) conforme dados oficiais do TSE.
E acontece que JHC sabe disso, como sabe também que a maioria folgada do interior vota em Lula.
Esse é um dos grandes desafios de JHC no processo eleitoral deste ano, desafio que não permite 'solução mágica' como apoiar o grego aqui e o troiano lá adiante...
E a dificuldade não para por aí. Além de não contar com o aval de Lula (amigo e aliado do pré-candidato a governador Renan Filho) João H Caldas tem pela frente um rolo compressor chamado Paulo Dantas em período de 'colheita', entregando obras prontas todo dia no estado inteiro.
Setores políticos, inclusive aliados de JHC, admitem o peso dos programas sociais de Lula, mas destacam a dinâmica e influência da gestão Paulo Dantas, um governador pródigo em inaugurações celebrando hoje mais de 70% de avaliação positiva.
Em contraposição, o ex-prefeito de Maceió agora percorre um trajeto marcado por escassez de obras na capital, cofres da Prefeitura vazios e, por cima, a repercussão do escândalo envolvendo as perdas milionárias dos aposentados e pensionistas vítimas da relação promíscua do IPREV com o Banco, Master, exatamente durante sua gestão na chefia do Município.
Tudo isso talvez explique porque já tem gente especulando uma hipótese cada dia com mais adeptos e uma interrogação: JHC pode desistir do governo e partir para uma das duas vagas do Senado?


