Implosão de Cláudio Castro desmonta tese da Prefeitura de Maceió contra ação judicial sobre rombo do IPREV

Fundo do RJ também é autônomo, mas 'ligação' acabou com a carreira política do governador carioca

Por Blog do Romero 19/06/2026 08h08
Implosão de Cláudio Castro desmonta tese da Prefeitura de Maceió contra ação judicial sobre rombo do IPREV
Líderes sindicais e servidores de Maceió protestam na sede da PF e cobram investigação do caso IPREV/Master - Foto: Reprodução

A Prefeitura de Maceió está tentando se isentar do rombo milionário que atingiu o Instituto de Previdência dos Servidores maceioenses, mas o argumento construído pela PGM soa tão simplista quanto frágil.

Ao contestar, na Justiça, ação ajuizada pelo senador Renan Calheiros (MDB), pedindo a punição dos responsáveis pelo sumiço de R$ 117 milhões do IPREV, incluindo o ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC (do PSDB) o procurador-geral municipal João Luiz Lobo da Silva pede o arquivamento do caso invocando a autonomia do IPREV e sustentando que o Município, "na condição de ente político central, não participou, direta ou indiretamente", do planejamento e decisões que resultaram nos investimentos e perda do dinheiro dos aposentados e pensionistas.

Ocorre que, em situação idêntica à de Maceió, o Poder Judiciário já autorizou uma operação da Polícia Federal que implodiu de vez a carreira política de um 'gestor central'.

Onde?

No Rio de Janeiro. O IPREV de lá é o Rioprevidência, que despejou cifras bilionárias dos aposentados em titulos fraudados do falido Banco Master.

Resultado: o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal, autorizou e a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão na luxuosa cobertura do governador Cláudio Castro, depois que a PF concluiu que ele atuou - fazendo 'ligação' - para viabilizar os aportes do Rioprevidência no Banco de Daniel Vorcaro, inclusive trocando a gestão do fundo previdenciário.

A chamada Operação Barco de Papel produziu efeito político tão devastador que obrigou o governador carioca (já fora do cargo) a desistir de sua candidatura ao Senado.

Aqui, na chefia da gestão municipal, o então prefeito JHC nomeou os novos dirigentes do IPREV, destinando a presidência ao advogado Ronnie Reyner Mota.

Após o estouro do Banco Master e diante das perdas dos aposentados do IPREV, o senador Renan Calheiros acionou a Justiça requerendo o bloqueio dos bens do ex-prefeito João Henrique Caldas, do ex-presidente Ronnie Mota e demais diretores do Instituto.

Em paralelo, o senador emedebista usou as prerrogativas de presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (a CAE do Senado) para convocar o secretário da Fazenda de Maceió, João Borges, e o próprio Ronnie Mota para depoimentos.

A posição da Prefeitura, assim como a do ex-prefeito JHC, buscando encerrar a ação de Renan Calheiros, repercutiu entre os servidores municipais, que realizaram protesto público pedindo investigação da Polícia Federal.

O entendimento é de que os gestores deveriam estar trabalhando para devolver os recursos subtraídos dos aposentados.

Eles entendem que "o compromisso dos responsáveis não deveria ser com o fim do processo, mas com uma tomada de atitude para proteger as vítimas do rombo milionário e repor os recursos desviados".

E enquanto o imbróglio ganha dimensão, nos bastidores políticos avalia-se que eventual sinal verde do STF, acolhendo pedido já feito pela Polícia Federal para devassar o caso IPREV, terá combustível para replicar aqui o estrago político que abalou o cenário pré-eleitoral do Rio de Janeiro.

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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