Debate na Assembleia Legislativa expõe rombo do IPREV; Renan usa CAE e convoca secretário de Finanças nomeado por JHC
Senador já acionou Justiça e exige bloqueio de bens dos envolvidos e devolução do dinheiro dos inativos da Prefeitura de Maceió
A ação popular ajuizada pelo senador Renan Calheiros cobrando bloqueio de bens dos envolvidos com o rombo do IPREV de Maceió reverberou forte no plenário da Assembleia Legislativa.
Tão forte que até nomes consagrados da oposição - caso do deputado Cabo Bebeto, do PL - apoiaram a abordagem crítica cobrando punição para os culpados pelo desvio dos recursos dos servidores aposentados da Prefeitura de Maceió.
-- Quem errou tem que pagar - bradou o deputado Bebeto exigindo intervenção do Ministério Público no caso.
REPERCUSSÃO
Em meio ao escândalo do Banco Master, a denúncia e cobrança de Renan Calheiros têm ocupado espaço de grandes veículos da mídia nacional como Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, Valor Econômico, Congresso em Foco.
Com ação na Justiça, o senador pede bloqueio de bens e ressarcimento ao IPREV e lista os nomes que aponta como envolvidos no rumoroso caso:
-- João Henrique Caldas (JHC) ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo de Alagoas;
-- Augusto Lima, então dirigente do IPREV, e outros gestores do Instituto;
-- Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que recebeu o aporte de R$ 117 milhões;
-- Integrantes do Comitê de Investimentos e a Consultoria Crédito & Mercado.
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, e preocupado com as perdas dos aposentados com aplicações no Banco de Daniel Vorcaro, o senador Renan também apresentou projeto que amplia a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para as instituições previdenciárias municipais.
NOVA ESTRATÉGIA
E ante a ausência de CPI para investigar o caso Master e suas graves implicações, Renan decidiu acionar a Comissão de Assuntos Econômicos para convocar personagens associados aos desvios de fundos previdenciários como o IPREV.
Nesse sentido, o senador já adiantou os primeiros convocados:
- Felipe Borges, secretário da Fazenda de Maceió; e
- Ronnie Reyner Mota, ex-presidente do IPREV de Maceió.
Ambos foram nomeados pelo ex-prefeito JHC.
DEBATE NA ALE
No debate da Assembleia de Alagoas, o deputado Ronaldo Medeiros (PT) afirmou, com base na LDO encaminhada pelo prefeito à Câmara Municipal:
-- O regime próprio de previdência do município de Maceió representa risco fiscal estrutural de longo prazo.
Medeiros disse que a própria Prefeitura reconhece problemas no IPREV e advertiu:
"Os aposentados precisam ter cuidado. Se não houver contribuição no futuro próximo, esse Fundo quebra. E não haverá aposentadoria nem pensão depois".
O deputado Dr. Wanderley (MDB) solidarizou-se com Renan Calheiros (alvo de algumas críticas no Senado) e manifestou estranheza pelo fato de JHC ainda não ter se manifestado sobre um assunto de tamanha gravidade.
O emedebista Alexandre Ayres afirmou que a Prefeitura tem obrigação de esclarecer os critérios usados para a destinação do dinheiro dos aposentados para um banco de alto risco.
FEDERAL EM AÇÃO
Enquanto isso, a Polícia Federal está em campo investigando fundos previdenciários que aplicaram dinheiro no Master e um dos alvos é o IPREV maceioense.
O escândalo já derrubou um político conhecido: Cláudio Castro, que governou o Rio de Janeiro e carreou mais de R$ 1,6 bilhão para o Master, foi alvo de operação da PF e logo depois desistiu de concorrer à eleição para o Senado este ano.


