Turbinado pelo escândalo do Master, rombo do IPREV/Maceió vira bomba-relógio no processo eleitoral de Alagoas
Oposição enfrenta desgaste e cenário pode piorar com esperado acionamento da Polícia Federal para investigar aplicação milionária
Como um processo inexorável - mas com desfecho aguardado para antes das eleições de outubro - o prejuízo milionário do Instituto de Previdência dos Aposentados e Pensionistas da Prefeitura de Maceió vai ganhando status de 'bomba-relógio' no debate eleitoral alagoano, que está apenas na 'largada'.
O escândalo é ruidoso, comprometedor, e não se trata de um caso isolado, limitado ao IPREV da capital alagoana.
A implosão do Banco Master causou prejuízo financeiro a milhares de investidores e engoliu recursos de inúmeras instituições, incluindo vários Institutos Previdenciários, a exemplo do IPREV maceioense.
Em um dos casos, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, acabou sendo obrigado a desistir de concorrer ao uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
Sob Castro, o Rioprevidência fez aporte superior R$ 1,6 bilhão em títulos sem lastro do Banco de Daniel Vorcaro.
Em São Paulo, a Assembleia Legislativa está mobilizada para criar uma CPI a fim de investigar relações do Master com Prefeituras paulistas.
Aqui, o prejuízo (conhecido) do IPREV foi de R$ 117 milhões, a repercussão tem dominado o debate pré-eleitoral e nos bastidores políticos tem sido uma panela em permanente ebulição.
Enquanto o bloco oposicionista evita se expor abordando o tema intragável, deixando o imbróglio 'correr à revelia', as hostes governistas cobram providências no sentido de responsabilizar os culpados pela perda milionária e garantir o reembolso dos recursos perdidos.
Presidente do MDB e um dos líderes da situação, o senador Renan Calheiros entrou com ação na Justiça requerendo o bloqueio de bens e exigindo que os envolvidos sejam obrigados a cobrir o rombo milionário.
O caso do IPREV já mobilizou a Polícia Federal, que aguarda autorização do Supremo Tribunal para deflagrar investigação com carta-branca.
Por muito menos (R$ 3 milhões aplicados em letras podres do Master) a PF desencadeou operação para investigar as perdas do Instituto de Previdência dos Servidores da Prefeitura de Paulista, cidade situada próxima ao Recife.
Os federais afirmam que as aplicações em Pernambuco ocorreram em desacordo com normas legais e sem critérios de segurança, liquidez ou transparência.
Desde que estourou o escândalo do Master, com liquidação do Banco e prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, no final do ano passado, o então prefeito maceioense João Henrique Caldas, (que exonerou os dirigentes do IPREV após o episódio ganhar repercussão) tem optado pelo silêncio, evitando se manifestar publicamente sobre a encrenca.
JHC (PSDB) renunciou ao cargo em abril último e desde então trabalha como pré-candidato a governador, tendo como previsível adversário o senador e ex-governador Renan Filho, do MDB.
Nos meios políticos avalia-se que, sem solução à vista, o baque do Instituto maceioense tende a minar as energias da oposição com potencial de uma verdadeira bomba-relógio.
Em tempo: a embrulhada do IPREV acaba de chegar ao plenário da Assembleia Legislativa produzindo questionamentos e manifestações exaltadas de parlamentares inconformados com o descalabro na Previdência de Maceió.


