Renan tenta indenizar aposentados do IPREV - com dinheiro do FGC - mas Eudócia Caldas fica contra
Em janeiro, senador alagoano criou GT no Congresso Nacional para acompanhar investigação das fraudes do Banco Master
Quem entende minimamente de política encerra a leitura no título:
"Eudócia acusa Renan Calheiros de atuar em favor do Banco Naster".
Primeiro, esqueceram de dizer à mãe de João Henrique Caldas, o JHC, que o Master foi liquidado pelo Banco Central. Simplificando: deixou de existir. Logo, não pode ser beneficiado, nem com auxílio do Mister M.
Além disso, atos e fatos abundantes desmontam a tática de Eudócia Caldas tentando ligar o nome de Renan à derrocada do extinto banco de Daniel Vorcaro.
Aqui, um lembrete: o ex-prefeito de Maceió, JHC, filho de Eudócia, é pré-candidato a governador e tem como adversários o senador Renan Filho e o bloco político do senador Renan Calheiros.
Aos fatos.
Em 15 de janeiro último, o Congresso em Foco publicou:
-- Renan Calheiros cria GT para acompanhar investigação do Banco Master.
Para quem não sabe, Renan é o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) e, ao criar o Grupo de Trabalho, asseverou:
-- A CAE do Senado vai acompanhar de perto as fraudes do Banco Master, uma das maiores da história. O Senado não se curva a abusos do sistema financeiro.
Em fevereiro, o CNN Brasil destacou:
"Fiscalização envolvendo o Master será permanente", diz Renan Calheiros.
E então, quem age assim está querendo beneficiar o Banco falido?
Aos atos.
Na semana passada, o mesmo senador Renan Calheiros apresentou no Congresso Nacional projeto que obriga o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a indenizar fundos previdenciários que perderam bilhões de reais comprando títulos podres do Master.
Aí, tremenda ironia: a proposta de Renan beneficia, diretamente, não o Banco liquidado, mas, quem diria, o IPREV.
Trata-se do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió, que comprou títulos fraudados do arrombado Master e perdeu R$ 117 milhões.
E isso aconteceu quando o prefeito de Maceió, o gestor das contas do município, era João Henrique Caldas, o JHC.
Ao contrário do que diz Eudócia Caldas, Renan quer cobrir o prejuízo do IPREV com recursos do FGC, que é um Fundo do próprio sistema bancário e, portanto, não lida com dinheiro público...
Agora, o que se sabe, porque já amplamente divulgado, é que a Polícia Federal está investigando gestores e fundos de previdência que torraram dinheiro de servidores no incêndio do lacrado Banco Master.
Um dos gestores, Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, acaba de ser alvo de operação da Polícia Federal investigando precisamente o despejo de dinheiro dos aposentados cariocas no cofre sem fundo de Daniel Vorcaro.
A propósito, a PF já pediu ao Supremo Tribunal autorização para investigar também o IPREV de Maceió.
Expectativa geral, clima tenso no âmbito da Prefeitura. Fora, avaliações convergentes: se a PF entrar em ação, o ex-prefeito JHC será um dos alvos, como foi o ex-governador do Rio de Janeiro.
Enquanto isso, por sua disposição de investigar o escândalo do Master até as últimas consequências, Renan Calheiros atrai aliados no Senado e agora está sendo induzido a propor que o Ministério Público, Supremo Tribunal e Polícia Federal investiguem também o que está por trás das acusações de Eudócia Caldas tentando associar seu nome ao de Daniel Vorcaro.


