Mais um nó de navio para o equilibrista JHC desfazer: vai apoiar Joaquim ou ficar contra o candidato do papai João Caldas?
Lançado à presidência, alagoano Aldo Rebelo foi defenestrado e Caldas impôs nome de ex-ministro do Supremo Tribunal
Uma aliança tripartite, reunindo JHC, Arthur Lira e Alfredo Gaspar para a disputa rumo ao governo e Senado - tema da abordagem anterior desta coluna - tem tudo para se tornar impraticável, mas a situação de João Henrique Caldas, em particular, é bem mais complexa.
A composição avulta problemática, inviável mesmo, pelas posições dos pré-candidatos em relação à sucessão presidencial. Aliás, o normal seria JHC escolher e direcionar seu apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro (um ou outro), mas não o faz porque não pode ou não deve.
O motivo já foi explicado no comentário recente: como anunciado aspirante ao governo, ele sabe que o nome Bolsonaro tem mais voto em Maceió, porém no resto do estado a grande maioria dos eleitores vota em Lula.
Dos três, somente o deputado federal Alfredo Gaspar disputa vaga no Senado fechado com Flávio - na capital e no interior, e ponto final.
O deputado Arthur Lira, outro nome mirando o Senado, deve apoiar Lula e Flavius, mas sem perdas porque conta pouco com votos da capital...
A situação do ex-prefeito JHC, entretanto, se complica ainda mais, no contexto da batalha presidencial, por causa do seu pai, João Caldas.
E não tanto, na visão do 'eleitor comum', em virtude de intriga, desobediência ou briga de família.
O problema é que o ex-deputado João Caldas - muitos anos depois de responder a graves processos na Justiça no período 2006/2014 - de repente voltou ao batente, assumiu a presidência nacional do partido Democracia Cristã (DC) e lançou candidatos à sucessão de Lula.
Candidatos, isso mesmo, no plural. Primeiro, anunciou o alagoano Aldo Rebelo, ex-deputado federal e ex-ministro dos governos Dilma e Lula.
Como, entretanto, o avião do Aldo não decolou a seu gosto no campo das pesquisas, o pai de JHC detonou o projeto do filho ilustre de Viçosa e abriu espaço para Joaquim Barbosa, polêmico ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.
A confusão, quem diria, tomou conta do inexpressivo DC. Aldo rodou à baiana, soprou forte no trombone e não economizou críticas e acusações ao velho e teimoso João Caldas.
O alagoano Aldo, que professou a esquerda ao longo da vida e ultimamente resolveu trocar Vladimir Putin por Jair/Flávio Bolsonaro, acabou expulso do DC, mas resistiu e segue dizendo que sua pré-candidatura 'está mantida'.
A barafunda desabou sobre João Caldas, só que o filho JHC, declarado pré-candidato ao governo de Alagoas, também será alvo do contencioso.
Não, devido à refrega, ao rasga-saia entre João Caldas e Aldo Rebelo. A questão, o grande nó górdio que surge na embarcação do ex-prefeito JHC é ter que explicar aos alagoanos se vai apoiar o ex-ministro Joaquim Barbosa, descartando Lula e Flávio, ou se ficará contra o candidato do próprio pai.
EM TEMPO
Aldo Rebelo acusa João Caldas de usar o Democracia Cristã para atrair um ex-ministro do Supremo - Joaquim Barbosa - a fim de usá-lo para blindar o ex-prefeito JHC e a família Caldas no escândalo envolvendo aplicação do dinheiro do IPREV em títulos podres do Banco Master, caso que, avalia Rebelo, deverá subir para o STF, mas essa é outra história...

