JHC, Lira e Gaspar unidos? Só mágica para fechar equação juntando bolsonaristas à maioria pró-Lula
Gaspar é todo Bolsonaro, JHC é meio e Lira pode tentar fazer média para Lula e Flavius. Funciona?
Não tem paralelo com teoremas de Pitágoras ou Tales de Mileto, mas também não parece nada fácil descobrir solução para um projeto reunindo João Henrique Caldas, Arthur Lira e Alfredo Gaspar Mendonça.
Olhando de relance, a equação se afigura simples: JHC governador, Arthur senador e Gaspar também senador. Mas aí já surge uma falha no enunciado simplista: e a senadora Eudócia Caldas, mãe do ex-prefeito, onde entra no desenho triangular? E a ex-primeira dama Marina Candia, também sobra? As duas iriam para a vala comum das suplências?
Esse, porém, é apenas o rascunho da complexa operação. A soma dos três protagonistas não fecha por absoluta falta de exatidão matemática. A saber:
- JHC tem apoio e voto na capital, mas sua rede de apoios é sofrível, fraca mesmo, no interior.
- Arthur Lira conta com boa reserva de eleitores no interior, mas é rejeitado na capital.
- Alfredo Gaspar tem bom desempenho na capital, mas pouco espaço nos municípios.
A transferência de voto, partindo de um pacto prevendo ajuda mútua, contornaria o déficit de cada um, porém a fórmula não funciona. Não, enfrentando o conhecido e comprovado poderio dos adversários...
Outro complicador: reduto de JHC, Maceió concentra apenas um terço do eleitorado, os outros dois terços estão espalhados pelos demais 101 municípios.
Ainda tem: João Caldas filho precisa fingir que é bolsonarista em Maceió, mas tem que se apresentar como aliado de Lula no interior. O arranjo é viável? Sim, desde que João passe a usar uma camisa verde-amarelo com um coração vermelho bordado no peito.
Não bastasse, o PSDB estuda lançar Aécio Neves para tentar a presidência. O que tem a ver? Ora, João virou tucano e, com Aécio presidenciável, teria de apoiar o azarão abertamente, com palanque e tudo o mais da campanha.
Isso, é forçoso lembrar, em uma disputa que pode acabar no primeiro turno...
Quanto a Gaspar, que magia o leal parceiro de Flavius vai exercitar para vender seu bolsonarismo obsessivo ao eleitorado majoritário de um interior fechado com Lula?
A situação de Lira também acumula obstáculos por falta de votos na capital e de apoio na maioria das cidades. Além disso, não conta com o governador Paulo Dantas - maior eleitor do atual processo - nem com a força dos deputados estaduais.
Um trio formado por JHC, Arthur e Gaspar tem, com certeza, suas potencialidades, mas eles estão diante de uma equação que exige um cérebro Pitagórico para resolvê-la.
Só mais uma para concluir o enredo: se sorrir para Lula, em busca de votos no interior, João Caldas filho conta com Gaspar e seus apoiadores?
Desenhar aliança impossível, como se pode ver, é fácil. Parada indigesta é materializá-la garantindo resultados positivos e seguros.


