Drones e inteligência artificial indicam melhor momento de abate do gado

Pesquisadores desenvolveram modelos de inteligência artificial para identificar os animais e extrair medidas corporais

Por EMBRAPA 19/05/2026 14h02 - Atualizado em 19/05/2026 15h03
Drones e inteligência artificial indicam melhor momento de abate do gado
A ideia foi modelar a relação entre medidas corporais e o ganho de peso, considerando variações não lineares ao longo do ciclo produtivo - Foto: EMBRAPA

Um sistema que combina drones e inteligência artificial para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento pode ajudar pecuaristas a identificar o momento ideal de venda ou abate dos animais, reduzindo custos e aumentando a eficiência produtiva. A tecnologia foi apresentada em artigo recentemente publicado por pesquisadores do projeto Semear Digital na revista científica Computers and Electronics in Agriculture.


Sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas, o Semear Digital é um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


“Métodos tradicionais de pesagem exigem manejo intensivo e podem causar estresse aos animais, afetando negativamente seu bem-estar e ganho de peso”, explica Everton Tetila, pesquisador de pós-doutorado do Semear Digital, professor da Universidade Federal da Grande Dourados. “Além disso, a pesagem com balanças, pode incorrer em avarias frequentes”, complementa, Jayme Barbedo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.


A proposta do estudo foi reduzir o estresse associado às pesagens e identificar o momento ideal de abate, quando o animal atinge seu pico de ganho de peso e, a partir daí, passa a converter alimento em peso de forma cada vez menos eficiente.


O sistema foi testado em um confinamento no Mato Grosso do Sul, onde os pesquisadores acompanharam um lote de bovinos ao longo de 112 dias. Durante esse período, foram realizados voos regulares com drones a cerca de 15 metros de altitude para capturar imagens dos animais.


A partir dessas imagens, os pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolveram modelos de inteligência artificial que identificam os bois, recortam e segmentam automaticamente seus corpos e extraem medidas corporais como comprimento e largura. Com base nesses dados, os pesquisadores acompanharam o crescimento do lote ao longo do tempo. “Fizemos voos periódicos desde a entrada do gado no confinamento até a fase final. A ideia foi modelar a relação entre medidas corporais e o ganho de peso, considerando variações não lineares ao longo do ciclo produtivo”, explicou Tetila.


Um dos principais resultados foi a identificação de um padrão típico de crescimento. “O animal ganha pouco peso no início em sua fase de adaptação, depois entra em uma fase de ganho de peso acelerado e, no final, ocorre uma desaceleração”, disse Tetila. O ponto de inflexão corresponde ao momento de máxima taxa de ganho de peso, a partir do qual o crescimento passa a desacelerar. Este seria um indicativo do momento economicamente mais vantajoso para venda ou abate.

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