A casa caiu. Escândalo milionário ligando Flávio e dono do Banco Master implode projeto presidencial do bolsonarismo
Esquema revelado pelo Intercept Brasil transforma caso de Ciro Nogueira em brincadeira de criança
Depois de tudo revelado pelo Intercept Brasil, a conclusão é inevitável e definitiva: o bolsonarismo é uma praga virótica com efeitos devastadores na sociedade brasileira.
O Portal escancara diálogos capazes de envergonhar corruptos campeões de indecência e cinismo.
Ironia do destino ou fatalismo de uma sina familiar, o certo é que Jair Bolsonaro, já na humilhante condição de preso, decretou que o filho mais velho, o Flávio já contaminado pelo germe da rachadinha, seria seu sucessor e, portanto, o adversário de Lula no embate presidencial deste ano.
O mais grave: mesmo sendo autor de gestões espúrias, mesmo sabendo que sua face oculta em algum momento seria mostrada, o herdeiro aceitou de pronto disputar a presidência da República, representando os Bolsonaros e toda a praga de iniquidades chamada bolsonarismo.
Uma desgraça.
A bombástica revelação do Intercept Brasil, expondo gravações em que Flávio cobra a Daniel Vorcaro milhões de reais para bancar um 'filme' sobre o Jair Messias, causa asco e repugnância, mas, vale observar, só nos tolos e desinformados. Pois já havia precedente grave na família. Quem não se lembra de Bolsonaro, pai, pedindo dinheiro aos pobres seguidores, via Pix, para pagar multas que somavam cerca de 1 milhão de reais à justiça? Pois bem, ele arrecadou 17 milhões e embolsou a 'sobra' das doações.
Um político, um homem decente teria recebido Pix limitado ao valor exato para pagar as infrações cometidas. Nenhum centavo a mais. Não cabe aqui listar todos os episódios repulsivos da família Bolsonaro. Muitos já são do conhecimento público, mas alguns, graves e reveladores, precisam ser lembrados:
- Daniel Vorcaro repassou direto à conta bancária de Jair Bolsonaro R$ 3 milhões para 'campanha' eleitoral;
- Flávio Bolsonaro montou em shopping do Rio de Janeiro uma fantástica loja de chocolate passando a receber grande quantidade de depósitos fracionados, sem origem especificada, tudo revelado pelo Ministério Público, mas a investigação acabou sofrendo 'nulidade processual' no Superior Tribunal de Justiça;
- Logo após, o mesmo Flávio comprou no Distrito Federal, por R$ 6 milhões, uma mansão 50% financiada pelo BRB, o Banco de Brasília mancomunado com o Banco Master e suas operações fraudulentas.
Cabe aqui, também, evocar a falta de seriedade e o excesso de atos impatrióticos protagonizados pelos principais membros do indigitado clã. No primeiro caso, o Bolsonaro pai contando piada e rindo das vítimas da Covid, indiferente aos milhares de mortos, Brasil afora, pela letal pandemia.
Cena triste, patética, para um presidente da República.
Em outra situação, ano passado, o filho Eduardo, foragido da Justiça, cobrou com insistência, do governo dos Estados Unidos, punições graves contra o Brasil, tentando atingir o governo Lula e ministros do Supremo Tribunal.
Quanto à relação promíscua de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, desvendada pelo Intercept, a estupefação tomou conta do país e não poderia ser diferente. Até Romeu Zema, bolsonarista mineiro, perdeu o rebolado condenando o episódio. "Imperdoável, um tapa na cara". O deputado Lindbergh Farias, do PT, pediu a "imediata prisão" de Flávio Bolsonaro.
O empresário Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre, também defendeu a prisão do senador, que agora se movimenta como novo aliado do deputado federal alagoano Alfredo Gaspar. E Flávio, o que esperar do presidenciável? Vai negar o esquema vergonhoso? Já negou. Vai pedir CPI do Master? Ora, ora, já pediu. Portanto, vai plagiar os políticos flagrados em contubérnio com a corrupção valendo-se da velha retórica: 'É tudo perseguição política'. Age, assim, com 'jeito e desenvoltura', exatamente como o amigo e correligionário Ciro Nogueira (o senador cogitado para compor sua chapa como candidato a vice), em caso recentíssimo, mas que não apresentou a mesma dimensão da nova e explosiva encrenca.
Como um réu de si próprio, o (ainda) presidenciável Flávio Bolsonaro pode negar, inventar, mentir, mas não escapará do buraco negro abissal onde se meteu. Com certeza vai sentir saudades do tempo das rachadinhas.
Conclusão: a casa caiu. Resta apenas saber se o desabamento destrói somente o presidenciável ou implode o bolsonarismo de vez.


