Gaspar acusa Lula sem provas, mas silencia sobre acusado com provas da Polícia Federal
Deputado não critica nem reprova presidente por receber R$ 3 milhões do dono do Banco Master
Como reagiu o bolsonarista Alfredo Gaspar depois que a Polícia Federal descobriu e desatou a malha de ilegalidades do também bolsonarista Ciro Nogueira junto ao lamaçal do Banco Master?
Não reagiu. Aliás, diante de uma denúncia gravíssima, produto de investigação avançada e riquíssima em provas, preferiu disparar contra um inimigo inarredável - o presidente Lula.
Alguma prova, algum indício que seja contra Luiz Inácio?
Não, nenhum, mas Lula recebeu no Planalto em situação emergencial - com todos vendo e sabendo - Daniel Vorcaro, dono do Master, que foi relatar a crise que o Banco estava enfrentando.
- Teve encontro no escurinho do Palácio (ainda bem que não foi no 'escurinho do cinema') fora da agenda - bradou o deputado bolsonarista.
Um 'escândalo' tão terrível, que o bolsonarista Alfredo Gaspar, à época e logo depois, não havia criticado, sequer mencionado.
Tratou antes, por sinal, com a mesma desatenção dispensada ao episódio de ligação oficialmente provada entre Jair Bolsonaro e Vorcaro.
Que episódio?
O dono do Banco Master transferiu R$ 3 milhões para a conta pessoal do então presidente Jair Messias a título de 'ajuda' para a campanha eleitoral...
Bom, e se tivesse sido para a conta de um certo Lula da Silva? Tremendo escândalo, diriam os adversários...
Quem entregou Jair Messias, cumpre lembrar, não foi nenhum petista, e sim o espertíssimo Waldemar Costa Neto, que vem a ser, veja só, o presidente do PL (Partido Liberal, dos Bolsonaros), isso mesmo, a nova e endinheirada legenda do alagoano Alfredo Gaspar.
Nesse pouco tempo de caminhada com mandato eletivo e caça aos eleitores, Gaspar indica ter aprendido que uma coisa é o exercício do Ministério Público ou da Secretaria de Segurança, outra é singrar os mares da política partidária cansada de guerras e escaramuças.
Trata-se, porém, de uma questão de trajetória. Ontem, o técnico rigoroso, agente da lei. Hoje, o político, preso a uma ideologia e ao apreço extremo a um ex-presidente condenado por arquitetar golpe contra a democracia.
A diferença observável é que, nesse momento, olhando fixamente para a nova bomba da PF e sua Operação Compliance, Gaspar não se vê diante de Jair Bolsonaro, e sim na frente de um senador, também bolsonarista, atolado até a tampa no esgoto de falcatruas e subornos que é o Banco Master.
Tão grave, esse imbróglio do senador colega de Arthur Lira, que os próprios advogados resolveram abandonar de vez a defesa de Ciro Nogueira.
Tão grave, que até o candidato presidencial Flávio Bolsonaro - que pretendeu tê-lo como vice - diz 'apoiar' a investigação da Polícia Federal...
E então, não seria o caso de Gaspar - que cogita disputar o Senado e até o governo de Alagoas - num acesso de dureza e rigor, lembrando passado recente, condenar os 'acertos' do chefe Bolsonaro e do parceiro Ciro com os desacertos de Daniel Vorcaro e seu conchavado Banco Master?
Em face de tudo disso, uma coisa é certa: o eleitor alagoano, ao longo da campanha que se aproxima, naturalmente vai querer saber:
- Nos discursos em busca de voto, o candidato Gaspar vai continuar selecionando alvos?
- Ou sua artilharia também vai mirar possíveis correligionários flagrados com a mão na massa?


