Davi, Motta e pupilos ajudam a 'legalizar' golpismo disfarçado com nome de 'dosimetria'

Congresso que sepultou CPI do Master detona condenações do STF e ignora vontade popular

Por Blog do Romero 07/05/2026 05h05
Davi, Motta e pupilos ajudam a 'legalizar' golpismo disfarçado com nome de 'dosimetria'
Alcolumbre e Motta comandaram votação que derruba condenações dos golpistas pelo STF - Foto: Reprodução

Em troca de apoio para se manter na presidência do Senado a partir de 2027, Davi Alcolumbre aplicou seu golpe de oportunismo ao se unir a bolsonaristas, e trânsfugas de algumas legendas para derrotar um indicado de Lula ao Supremo Tribunal e, a seguir, derrubar o veto presidencial ao projeto da chamada dosimetria.

Conforme referências, Davi (que em nada evoca o personagem bíblico) topa qualquer empreitada, desde que lhe proporcione ganhos.

Contou com apoio de Lula para voltar à presidência do Senado, mas cuspiu no prato do Planalto quando percebeu que, traindo a confiança do presidente, teria apoio para lhe garantir mais tempo mandando no velho Senado cansado de atributos como ética e seriedade. De quebra, junto com o deputado Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira e políticos vis, barrou a CPI do Banco Master, que investigaria o maior escândalo financeiro de que se tem notícia.

O Davi em evidência, político do Amapá, ajuda a entender e definir o Congresso atual fazendo ecoar um provérbio clássico:

- Diz-me com quem andas e eu te direi quem és.
O Senado de hoje anda sob a vontade e às ordens de Davi, o Alcolumbre. Amigos e vendilhões (políticos que traficam influências e interesses) o tratam como 'Rei Davi'. Já os imunizados preferem chamá-lo de 'Judas'...

Ao comandar a revogação do veto à dosimetria, concorreu para afrontar julgamentos finalizados pela Corte Suprema de modo a atender os golpistas do 8 de Janeiro. Fez mais: transformou golpe de estado em prática 'legal' ou quase isso.

Afinal, o que significa a dosimetria senão a garantia de que atentado ao poder e ao estado democrático de direito não passa de crime tolo digno de comiseração, punível com sanções suaves e efêmeras?

Isso mesmo.

No Brasil de Davi irmanado a protagonistas da politicagem, golpe de estado não é caso de justiça, é questão para o próprio movimento golpista resolver.

'Diz-me com quem andas'...

Autor e vítima ao mesmo tempo, o povo paga hoje, por sua vez, o preço de ver o país caminhar junto com o pior Congresso da história. Mas é produto de uma escolha feita com liberdade e autonomia. Lamentavelmente.

O Senado sob Alcolumbre também foi indigesto e indefensável ao rejeitar Jorge Messias para ocupar vaga no STF. Uma lástima, pois reprovou um advogado íntegro e competente, impedindo o Supremo de contar com um ministro acima de insinuações e suspeitas.

Na mesma pegada, ao aprovarem na marra o coquetel dosimétrico, sob impulso do acordão espúrio, inclusive estropiando o texto original, Senado e Câmara estamparam a face arruinada do Parlamento, e o mais grave, violentando a vontade popular, expressa em inúmeras pesquisas de opinião, cuja maioria sempre defendeu punição severa e exemplar para os inimigos da democracia.

Terminou? Trabalho concluído? No Congresso, sim, pois o que falta - a promulgação, isto é, publicação da rejeição ao veto - é um simples ato formal. Mas não de todo, não lá fora. No que concerne à dosimetria ainda há uma esperança: com direito à palavra final assegurado pela Constituição, caberá ao Supremo Tribunal decidir se o projeto 'mutilado' - um insulto ao princípio constitucional - será ou não mantido em benefício dos golpistas.

Não se trata de convicção, mas de expectativa e esperança de que a maioria dos ministros não se deixe embalar pela atmosfera contagiosa que tomou conta do Congresso moralmente combalido.

Ou seria mais sensato aguardar para ver se os doutos magistrados, nesse caso emblemático do golpe arquitetado, de repente se deixam levar por uma 'tonteira geral' e acabam por colocar o Supremo contra o Supremo, considerando que a dosimetria desmonta os julgamentos do próprio STF?

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Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

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