Ação precipitada mostra PSDB acuado por causa do passado que, agora, cada alagoano 'quer conhecer

Pedido contra 'propaganda antecipada' expõe fragilidade tucana ao revirar período crítico de Alagoas

Por Blog do Romero 22/04/2026 15h03
Ação precipitada mostra PSDB acuado por causa do passado que, agora, cada alagoano 'quer conhecer
Análise comparativa de Paulo Dantas incomodou tucanos e fez PSDB recorrer ao TRE/AL - Foto: Reprodução

Ao recorrer à Justiça Eleitoral contra uma postagem do governador Paulo Dantas mostrando as diferenças entre o que foi o governo do PSDB (novo partido do ex-prefeito JHC) entre 2011 e 2014, e a gestão atual de Alagoas, o comando estadual da legenda tucana pretendeu tirar do ar o que alegou tratar-se de 'propaganda eleitoral antecipada negativa', mas acabou produzindo efeito contrário.

Soou como 'um tiro no próprio pé', expressão usada para ironizar quando um personagem ou um grupo político, sem avaliar corretamente as consequências de determinada atitude ou iniciativa, concorre para contrariar os próprios interesses.

A direção da sigla tucana apelou ao TRE/AL não apenas para remover a postagem de Paulo Dantas com dados comparativos entre sua gestão e a do ex-governador Teotonio Vilela Filho, patrono histórico da agremiação tucana aqui no Estado, mas também para 'impedir' que o atual chefe do Executivo alagoano prossiga com manifestações públicas exibindo diferenças entre as gestões.

Até então, o discurso de Paulo Dantas era visto como natural iniciativa do governador mostrando serviço, exibindo o produto de seu trabalho, é verdade, adicionando dados comparativos com a gestão tucana, mas nada que se distanciasse do digerível ou agredisse a normalidade.

Alguns observadores políticos até consideram que o post atacado não viraria 'caso de justiça' nem provocaria repercussão ruidosa nos veículos de comunicação, a menos, é óbvio, que ocorresse algo fora da rotina, como, por exemplo, uma tentativa de fazer a Justiça 'silenciar' o governador.

E foi precisamente o que aconteceu.

Quebrando relativa quietude do cenário político local, o PSDB buscou a intervenção do Tribunal Regional Eleitoral com duplo objetivo: 1 - excluir a postagem de Paulo Dantas das redes sociais; 2 - impedir que o governador se manifeste comparando sua gestão com a do PSDB.

Sem nenhuma surpresa para os mais experientes, a repercussão foi ampla e instantânea, agitando os bastidores políticos, incitando manifestações de lideranças partidárias e, sobretudo, mexendo com a mídia e demais segmentos da sociedade alagoana. Afinal, por que incomoda tanto cotejar a realidade entre dois governos de um mesmo estado?

De fato, mais do que denunciar suposta ilegalidade, com uma atitude temerária, a ação do PSDB passou a ser vista como tentativa de 'esconder' algo grave de um passado que, para o tucanato, não convém de modo algum que motive debate público, ainda mais nesse período pré-eleitoral.

Agora, não fica bem achar que, não sendo candidato a nada, Paulo Dantas faz propaganda eleitoral comparando o seu governo com o de um ex-governador que também não disputará nenhum mandato. Cabe, pois, a Justiça decidir.

Aliás (está claro na própria representação ao TRE), o governador não agride ninguém, não acusa, sequer lança suspeita sobre quem quer que seja. Apenas procura mostrar a realidade crítica que marcou o governo tucano, fazendo uma contraposição com a situação que o Estado vive agora sob sua administração, que sequencia os grandes avanços observados nos governos de Renan Filho.

A mensagem que a incursão judicial do PSDB passa à população é de que teme os possíveis efeitos que a lembrança de seu governo produzirá nas pessoas e, marcantemente, no poder de avaliação dos eleitores.

Foi, sim, um período de grave crise e de criminalidade fora de controle, tanto que o Executivo alagoano se viu obrigado a pedir socorro a Brasília, mediante intervenção na segurança pública do Estado. Isso está documentado, gravado em estatísticas oficiais, está na memória um tanto adormecida dos alagoanos. Virou história, e acontece que a história não se apaga com ações judiciais.

O dado novo é que a ação 'irrefletida', como prefere definir alguns, acaba de conferir às forças governistas, reunidas em torno do projeto para recolocar o senador Renan Filho no governo de Alagoas, um instrumento de mobilização popular e de forte motivação política mesmo antes da campanha eleitoral.

Presente valioso e também gracioso, ao induzir o eleitor a se indagar: 'Como foi o desempenho, no governo de Alagoas, do PSDB que, de repente, emergindo de um penoso ostracismo, se lança no processo sucessório querendo retornar ao comando do Executivo estadual?'.

O governador não pediu voto, sequer falou em candidatura, apenas analisou os avanços dos governos Renan/Paulo comparando resultados com gestão passada. Não deveria preocupar tanto. Como, porém, preocupou, o bloco governista pode até 'reservar' o assunto para ser explorado mais adiante, no exato momento em que o eleitor estiver mais receptivo e ansioso por obter informações que o ajudem a acertar na escolha do futuro governador.

O inegável nisso tudo é que a abordagem comparativa de Paulo Dantas ganhou status de instrumento poderoso para ser explorado na campanha eleitoral. Poderia, isso mesmo, ter esmaecido, perdendo força com o passar do tempo, mas foi 'descoberto', revigorado e potencializado graças a um recurso judicial açodado e de eficácia duvidosa.

Lembrando: tudo começou com o senador Renan Filho publicando um vídeo para rebater rumores correntes e declaração atribuída ao ex-governador Teotonio Vilela (de que ele, RF, não disputaria o governo e iria assumir a Casa Civil do Governo Lula), o que motivou a entrada do aliado Paulo Dantas em ação com a postagem atacada pelo PSDB.

PONTOS A PONDERAR

1 - Para o eleitor, não adianta restringir a disputa entre dois personagens, ignorando algo crucial: a trajetória dos partidos a que pertencem.
2 - Paulo Dantas apenas iniciou o discurso que, muito em breve, vai mostrar como viveu Alagoas nos governos do MDB (Renan Filho) e do PSDB (Teotonio Vilela).
3 - Como a temporada de pesquisas vai se intensificar, o eleitor deve ficar atento ao anúncio de sondagens 'não registradas' na Justiça Eleitoral ou feitas para 'consumo interno' dos partidos, mas divulgadas capciosamente...

Blog do Romero

Política, governo, análises conjunturais, entrevistas e abordagens eleitorais

Pesquise no blog
Sobre o blog

Iniciou-se no Jornalismo como redator do Diário de Pernambuco. Foi editor do Diário da Borborema (PB) e do Jornal de Alagoas. Exerceu os cargos de secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió e do Estado de Alagoas.

Arquivo