A pronta resposta de Lula ao lucro abusivo praticado pelos postos de combustíveis
Em Maceió, excesso de revendas anula concorrência, eleva preços e carteliza reajustes
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã mexeu com a cotação dos combustíveis, claro, mas também virou 'pretexto ocasional' para o aumento abusivo dos preços do diesel e da gasolina, uma prática recorrente, mesmo quando não existe conflito interrompendo o fluxo mundial de petróleo.
Em Maceió, ao longo de anos, os postos reajustaram os preços da gasolina e do diesel acompanhando os valores fixados pela Petrobras, mas essa regra foi sendo deixada de lado e, atualmente, os valores variam - para cima, claro - com ou sem aumentos decretados pela estatal.
E é o que está acontecendo nesse momento.
Tão logo a mídia começou a falar sobre o impacto da guerra do Oriente na cotação do petróleo, os postos da capital alagoana reajustaram o preço do litro da gasolina de R$ 5,99 para R$ 6,59. Dois dias depois, baixaram 4 centavos (para R$ 6,55) uma tática para dar ideia de redução aos desavisados. Mas logo após elevaram para R$ 6,79. A rigor, estão inovando com aplicação de 'reajustes preventivos'. Preço atual: R$ 6,78.
Aos clientes, quando há oportunidade de diálogo, os revendedores dizem que estão operando em um 'mercado livre e aberto', de modo que os preços dos combustíveis 'estão isentos de tabelamento'.
Os motoristas protestam, denunciam abusos, mas não são ouvidos. Já o Procon realiza batidas, fiscaliza, notifica, multa alguns postos, mas são punições esparsas e isoladas para abusos constantes e generalizados.
Foi diante desse descontrole que o presidente Lula resolveu entrar em ação e anunciar que pretende reativar a BR Distribuidora que, antes de ser privatizada no governo Jair Bolsonaro, ditava os preços e garantia certa estabilidade nas cotações através de concorrência.
Apoiado nas ideias de seu ministro Paulo Guedes (Economia), Bolsonaro desorganizou o mercado de combustíveis automotivos do Brasil ao vender três refinarias, inclujindo 'Landulpho Alves', na Bahia, ao mesmo tempo em que privatizou a BR Distribuidora, deixando a questão dos preços a cargo exclusivamente dos revendedores privados.
Evidente que a posição do governo Lula gera reações inclusive no terreno midiático. Citando fontes críticas, o site Poder 360, por exemplo, chegou a divulgar matéria sugerindo que a disposição do presidente se enquadrava no rol dos 'discursos eleitoreiros'.
Mas, cabe indagar, Lula agiu por impulso pessoal, 'pensando na eleição', ou apenas reagiu ao ato belicista de Trump que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz e causou a explosão dos preços do petroleo no mundo?
Os bolsonaristas não respondem essa questão, porém alegam que o contrato de privatização da BR Distribuidora contém cláusula estipulando que a Petrobras não poderá voltar a distribuir combustíveis antes de 2029.
E daí? Por acaso algum compromisso de campanha é efetivado de imediato?
Se esse é o caminho para domar os empresários e conter reajustes abusivos da gasolina e diesel - e também do etanol - que seja transformado em pauta e promessa de campanha. Melhor fazer algo para valer daqui a três anos do que não fazer nada.
Antes disso, aliás, o Poder 360 também deveria ter noticiado com destaque que o Planalto abriu negociação com os governadores para baixar o ICMS sobre o diesel, isso, vale frisar, após o governo da União ter feito sua parte zerando os impostos federais sobre o combustível que mais influencia o preço dos transportes.
Nos últimos anos, todo mundo já percebeu, os postos de combustíveis de Maceió passaram a reajustar os preços de forma combinada, indicando a existência de um 'orientador', um 'controlador' que estaria processando as variações e informando aos revendedores para correção automática de preços. Assim, os valores se mantêm alinhados sem variação de um centavo sequer. Uma espécie de 'cartelização'.
Essa teria sido a fórmula concebida para evitar que determinados postos continuassem praticando preços de modo independente, sem aumentos inexplicáveis, o que atrairia mais clientes e 'prejudicaria' os concorrentes.
A propósito, cabe lembrar: aqui na capital, o setor de combustível nunca funcionou valendo-se de uma concorrência natural baseada no critério segundo o qual quem oferece a gasolina mais barata vende mais e, por conseguinte, lucra mais. Seria o ideal, mas a realidade é outra.
A livre concorrência não prevalece porque há um claro excesso de postos funcionando. Para se ter ideia, somente na Zona Sul de Maceió - área central, Ponta Grossa, Trapiche, Prado, Vergel - há cerca de vinte postos abertos e o fato é que não existe demanda para tanto.
Como consequência, em vez de lucrar vendendo mais por menos, os empresários minimizam a quantidade e carregam nos preços. vendendo menos por mais.
Mesmo assim, para que o sistema funcione a contento, impõe-se o alinhamento das cotações, impedindo que consumidores convirjam para determinado posto em busca de preço mais em conta.
Lamentavelmente, com a destruição de centros de produção de petróleo e gás na região do Golfo, dimencionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos e Israel agravaram a crise energética mundial a partir de março último, provocando a alta dos combustíveis sobretudo na Europa, África, parte da Ásia e países das Américas, incluindo os Estados Unidos.
No entanto, vale lembrar que, antes dos primeiros ataques ao Irã, os preços aqui em Maceió já aumentavam 'aleatoriamente', mesmo quando a Petrobras anunciava redução, principalmente da gasolina, junto às distribuidoras.
PESQUISAS
Os leitores já devem ter percebido: ultimamente, sempre que é divulgada uma pesquisa de intenção de voto mostrando Lula em vantagerm, tanto em primeiro quanto em segundo turno, horas depois surge 'nova' sondagem invertendo os resultados em benefício de Flávio Bolsonaro.
Exemplo: na terça-feira (14\4), pesquisa MDA\CNT apresentou Lula liderando o primeiro turno com os seguintes números:
Lula (PT) — 39,2%
Flávio Bolsonaro (PL) — 30,2%
Ronaldo Caiado (PSD) — 4,6%
Romeu Zema (Novo) — 3,3%
Renan Santos (Missão) — 1,8%
Aldo Rebelo (DC) — 1,5%
Branco/nulos — 10,4%
Indecisos — 8,9%
Na mesma sondagem, Lula também lidera o segundo turno ganhando de Flávio Bolsonaro, seu principal opositor. Os números:
Lula: 44,9%
Flávio Bolsonaro: 40,2%
Como a margem de erro é de 2% para mais ou para menos, a vantagem do petista de 4,7% está acima de um empate técnico.
No dia seguinte (quarta-feira 15\4), o Quaest já apareceu com nova sondagem mostrando Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno:
Flávio: 42%
Lula: 40%
Muito 'estranho', considerando que as duas pesquisas foram realizadas no mesmo período.

